ESTREITO DE LEMBEH - diário de viagem

MARÇO 2018

MANADO & ESTREITO DE LEMBEH

Acordámos bem cedo em Singapura e fomos até ao aeroporto de metro. O custo do bilhete é de 1,5€, o que é extremamente barato comparado com o custo de vida desta cidade e não tem condutor, tudo automatizado. Depois de umas trapalhices com a compra do bilhete lá chegámos ao aeroporto para fazermos escala em Bali para seguirmos para Manado. Íamos ter 5h de espera no aeroporto.
Depois de passarmos a imigração, tivemos que sair para ir buscar a mala ao cacifo (2,5€/dia) e lá apareceram todos os chatos dos taxistas à porta das chegadas de braços no ar a chamar "Mister, Mister, taksi?" São dezenas e dezenas deles a lutar pelo negócio do dia! Todos pedem valores absurdos, bem acima do normal, na tentativa de dar o golpe. São iguais em todo o mundo e personas non gratas para os viajantes. Para os evitar decidi começar a dizer adeus para um amigo imaginário que nos vinha buscar e... funcionou! Foi muito mais tranquilo, funcionou mesmo bem, parecia que tinha posto repelente de taxistas!
Entrámos novamente, desta vez de forma calma e não apanhámos qualquer fila na entrada da imigração ou na segurança. Esperámos 4h e 30m e quando íamos para embarcar chegou a informação que o voo tinha sido adiado mas ainda não se sabia quantas horas. Pelos vistos o aeroporto em Manado teve um curto circuito e as luzes da pista apagaram-se. Foram precisas mais 4h para resolver o assunto e depois de nos darem uma refeição e um cobertor lá embarcamos. 
Quando chegámos ao aeroporto estavam à nossa espera os desgraçados do Hotel com cara de sono. Depois de 1h30m de viagem chegámos ao Summer Hotel em Bitung, no estreito de Lembeh. Eram 4h. Como ainda não tínhamos marcado mergulho para o dia seguinte, marcámos muito cedo com o mesmo motorista para nos levarem ao centro de mergulho. Desgraçado dormiu 2h e nós também. Se perdêssemos o dia de mergulho, apenas poderíamos mergulhar 1 dia neste que é um dos destinos mais famosos do mundo. 
Ensonados lá nos levantamos e marcamos no Eco Divers. Tinham um excelente pack diário num barco com 3 mergulhos cada. A Indonésia é um paraíso monetário, destrocas 100€ e ficas milionário e o dinheiro dura e dura e dura. Tudo mesmo muito barato!
Depois das formalidades iniciais lá fomos mergulhar com os locais e um francês fotógrafo que tinha a mania que sabia sobre tudo, um postal autêntico que vivia há 10 anos no sudeste asiático e vendia fotos para a National Geographic, com o seu sotaque francês sublime. O que é certo é que vimos criaturas incríveis e a equipa era muito boa. Estavam habituados a trabalhar com o National Geographic e a BBC, entre outros, quando visitam a região para produzir documentários. O tipo de mergulho em Lembeh não tem nada a ver com os corais bonitos e tropicais de postal mas sim com as criaturas mais estranhas do planeta que se adaptaram da forma mais estranha a um ambiente de lama e algas nada bonito. É o nosso tipo de mergulho favorito, é aqui que vemos a maravilha da natureza. Caranguejos, camarões, peixes escorpião, cavalos marinhos e os peixes mais bizarros do mundo, tudo no mesmo local e disfarçados de tal forma que exigia um esforço considerável para a sua identificação, sobretudo aqueles que mediam apenas alguns milímetros de comprimento. Foram sem dúvida 2 dias com alguns dos melhores mergulhos que já tivemos. Água a 29 graus mas decidimos levar fato, até para nos protegermos, há muita coisa venenosa e perigosa lá em baixo. 
Depois do mergulho fomos para o hotel e decidimos jantar bem cedo, como é hábito aqui, e explorar um pouco a cidade. Bitung é um buraco mas pensávamos que ia ser pior, como já tivemos por exemplo em Semporna e em Kota Kinabalu no Bornéu. Foi surpreendentemente agradável e o melhor são as pessoas, apesar dos esgotos a céu aberto. Literalmente toda a gente nos cumprimentava com um sorriso desinibido enquanto caminhávamos, mesmo quando iam na estrada de mota e de carro. Parecia que éramos famosos e já não se via bem áquela hora. À frente do nosso hotel e por toda a cidade havia grelhadores e comida a ser feita na hora e temos que admitir que era tentador mas a ideia recente da última gastroenterite demoveu-nos e acabámos a jantar os dois dias numa espécie de KFC num espaço que poderia ser centro comercial dos anos 80, ao estilo da Indonésia. Bitung apesar do aparente caos tem estradas limpas com flores a toda a volta e os passeios relativemente arranjados, com 1 vulcão como pano de fundo. Tudo aqui parece em miniatura, as estradas estreitas, as casas pequeninas e até os locais que não passam de 1,60m. Por todo o lado há igrejas e mesquitas lado a lado e de cores berrantes. Os sons dos minaretes entoam a toda a hora (do dia e da noite) com um sistema dolby surround, tal é o número de mesquitas que nos rodeiam. Cristãos e mulçumanos convivem de forma pacífica como deveria ser sempre, felizmente.
Relativamente ao Summer hotel, foi uma surpresa total. Esperávamos um buraco tal eram as revisões do booking, com uma apreciação global de 6.3. Só temos a dizer que o espaço é sem dúvida simples mas os funcionários esforçam-se imenso para garantir que tudo estava bem, com imensos detalhes e preocupação em nos agradar. Nos hotéis 5 estrelas ninguém quer saber de nós, não passámos de um número para estatísticas. Aqui éramos o centro da sua atenção, sempre com um sorriso genuíno e tudo limpo e sem mosquitos. Nota 10!! A nota do booking é profundamente injusta. Uma excelente alternativa aos resorts caríssimos da região e que permite alguma poupança para os mergulhos!
O último dia na região foi gasto próximo do aeroporto para apanharmos o avião às 5h do dia seguinte. Raja Ampat, aqui vamos nós!

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