GOA - diário de viagem

OUTUBRO 2016

É impossível não gostar de Goa! Com todo o seu encanto, leveza, edifícios tipicamente portugueses, palavras escritas totalmente em português, cantos românticos, a beleza natural, as praias, a comida… Goa fica no nosso coração mesmo antes de a termos deixado.

Ora bem, por onde começar? Ah, claro! A viagem de comboio de Mumbai para Goa. A tão esperada aventura e experiência indiana. Tenho a dizer que depois de ter feito o transiberiano, este comboio não foi surpresa quanto eu esperava. Mais fraco e mais “duro” que o da Mongólia, as diferenças são poucas. As cabines são abertas e apenas uma cortina separa o corredor dos “quartos", as casas de banho são piores, vendo-se os carris pelo buraco que existe no chão e o colchão é bastante mais duro. De resto, é quase igual, versão hindu! De vez em quando passam indianos a vender comida, que nós pensávamos que estava incluído (pelo menos o pequeno-almoço) e o facto de só termos uma cortina a separar-nos do corredor, ouvem-se mais as conversas de umas cabines para as outras.

Passámos quase o tempo todo a dormir  e de manhã, fomos acordados pelo funcionário do comboio, porque a nossa saída era já a seguinte e faltavam uns míseros 2 minutos… Caramba!! Demos um salto, como uma estalada no cérebro, arrumámos tudo “à foge que te agarro” e num piscar de olhos, estávamos fora do comboio! Meios zonzos pelo sono e pelo acordar repentino, encaminhámo-nos para a zona dos táxis pré-pagos. Querem 850 rupias (quase 10€) para nos levarem até ao hotel e optámos por partilhar o táxi com uns franceses que iam na cabine ao lado da nossa no comboio, que iam para a mesma zona que nós. Foi uma viagem cansativa de quase 1h, com imenso calor, num táxi sem ar condicionado e com 5 pessoas lá dentro! Que calor!!

Quando chegámos à cidade, começamos a ver as palavras escritas em português e edifícios e casas clássicas portuguesas e ficámos super entusiasmados por encontrar alguém que ainda falasse português! Quando nos deixaram no hotel, tratámos logo de tentar arranjar uma moto mas no hotel disseram-nos que os deles estavam esgotados. Decidimos andar um pouco para tentar encontrar algum sítio que as alugasse… Não foi fácil! Em Goa os táxis são muito mais caros e nem sequer há táxis com taxímetro! Por uns míseros quilómetros querem um dinheirão e nós num instante nos cansámos destas “discussões” de preço e optámos por ir a pé até à cidade. Nossa! Debaixo de um sol escaldante e de um calor terrível, todos suados, cheios de fome, esticamos o dedo para pedir boleia e um carro parou de imediato, levando-nos até à praia de Miramar. Despedimo-nos com um muito obrigado, mas aqui também não há motos… Temos de andar mais! Fomos até ao restaurante (uma típica casa colonial com um alpendre, com um ambiente muito bem conseguido) que tínhamos encontrado no Zomato para almoçarmos e recuperar forças para continuarmos na nossa luta. Eventualmente acabámos por desistir e entrámos num riquexó (obviamente depois de muito marralhado, como sempre) para nos levar à praia que queríamos ir. Desiludidos por não conseguirmos alugar uma moto, depois de vermos imensos turistas a conduzir a sua “motorbike”, perguntámos ao motorista se ele sabia onde se podia alugar. Ele disse que sabia se um sítio e nós dissemos que lhe dávamos o mesmo dinheiro que tínhamos combinado se ele nos arranjasse uma moto. Ele lá conseguiu encontrar uma loja tipo chinesa que tinha e nós fizemos a festa com uma moto para dois dias por 800 rupias (nem 11€). Maravilha! Lá pegámos na nossa moto e fomos até à parte norte de Goa, visitar as praias, que de táxi ou riquexó nunca iríamos visitar, devido ao preço exorbitante que nos pediam.

Calangute é uma praia de areia bege, tradicional, com uma vila piscatória muito tradicional portuguesa, com letreiros com os nomes das casas, como se vê no nosso país! O mar está a puxar um pouco e o Diogo decide tomar um banho, para refrescar as ideias. Vêem-se barcos na areia, com as mesmas cores e modelos dos nossos e eu fico a tirar fotos. Next!

Baga Beach - Russos, russos e mais russos! Russos e russas por todo o lado. Até “privet” (Olá) estes montes sabem dizer por estes lados! Baga é uma praia muito semelhante a Calangute mas com um areal maior. Até parking têm aqui. Dizia na net que é a praia mais turística e isso sente-se a milhas. À saída vi um bar chamado “Cocktails & Dreams”, o tão famoso slogan do filme Cocktail do Tom Cruise e fomos lá beber um mojito cada um e arranjar net para falarmos convosco, dar notícias e procurarmos um restaurante no Zomato. Damo-nos conta que estamos completamente viciados nesta aplicação! Quando encontrámos, pagamos a conta de 250 rupias (3€, era happy hour!) e fomos jantar. O restaurante era bastante agradável, decoração super gira e asiática, com cores vibrantes e contrastantes, mas a comida deixou um bocadinho a desejar. Porém, é um restaurante para uma classificação de, pelo menos, 4 em 5!

Voltámos para o hotel, depois de 45 minutos de moto e adormecemos como reis!

Acordámos bem cedinho porque tínhamos muito quilómetro pela frente até às praias do sul de Goa, que a net nos disse que valiam mais a pena. Fomos conhecer primeiro Goa Velha, a transbordar curiosidade e ansiosos por encontrar alguém que falasse português. No dia anterior, ainda fomos lançando um “Olá!” ou um “Obrigada!” aqui e ali, mas sem sucesso. Ninguém nos respondia, apenas lançavam um sorriso tímido sem perceberem patavina do que estávamos a dizer.

A caminho, páramos numa farmácia para comprarmos um antibiótico porque nos tínhamos esquecido do nosso no quarto. O dono da farmácia tinha sobrenome português, mas não falava nada. Ainda disse "muito obrigada!” depois de saber que éramos portugueses, mas mais nada… Mas não imaginem uma farmácia como as nossas. É sim, uma venda de rua, num casebre, com o balcão virado diretamente para a rua!

Continuámos caminho e quando chegámos a Velha Goa, fomos visitar a igreja de São Francisco e a Basílica do Bom Jesus. Tipicamente igrejas portuguesas, com os nossos santos, cúpulas e arcos. Mesmo o interior é igual às nossas igrejas. Quando entrámos na basílica, encontrámos um guia Goense que falava português! Com um sorriso de orelha a orelha, tanto o nosso como o dele, conversámos um pouco com o senhor Santos e ele contou-nos um pouco sobre a vida dele.

Dentro da Basílica, conhecemos uma senhora cujo marido falava português e sofria porque a família não falava quase nada e ele não podia praticar a língua. O marido estava no carro e nós prometemos encontrar-nos lá fora com ele para falarmos um pouco, depois da nossa visita ao Bom Jesus.

O senhor Agnelo Fernandes, um pouco debilitado, estava no carro a bater uma soneca, e quando nós chegámos ao carro e dissemos “bom dia!”, ele nem queria acreditar que estava a ouvir português. Todo contente e simpático, levanta-se e sai do carro e começa a falar português connosco. Contou-nos como era Goa antigamente, lamentando que hoje em dia estivesse tão suja e degradada (aos nossos olhos, está mil vezes melhor do que o resto da índia). Fez-nos perguntas sobre Portugal e disse que gostava muito de lá ir. Perguntou também de onde nós éramos e pareceu saber alguma coisa sobre a geografia do nosso país. Despedimo-nos dele com um passou-bem e, de coração cheio, viemos embora ainda a dizer adeus para trás.

Partimos em direção às praias, para uma viagem longa debaixo do sol das 10h00 da manhã. Quando chegámos a Majorda Beach, deparámo-nos com um cenário típico de uma praia paradisíaca africana, de areia branca e mar azul esverdeado. Claro que tinham de vir as indianas tentar vender os colares e as pulseiras horríveis, feitas de conchas e à mão. Nós dizemos logo ao longe que não queremos nada e que não vamos comprar, mas elas insistem em mostrar, chateando-nos até à exaustão. Cheguei a dizer que só queremos ser deixados em paz, mas elas fingem não entender e sorriem. Valha-me deus! Decidimos meter-nos na água para ver se elas desistem e se se vão embora, mas não. Continuam, mais persistentes do que nós, do lado de fora da água, na esperança que nós mudemos de ideias e que consigam vender alguma coisinha. Dizem que os russos não são nada simpáticos e que não falam nem compram nada e que os portugueses são muito simpáticos e que compram tudo. Tenho as minhas sérias dúvidas que alguma vez tenham falado com algum portugês, quanto mais vender o que quer que seja a um…

Viemos embora depois de nos secarmos e fizemos uma viagem de 40 minutos até à praia de Bogmalo. Na minha opinião esta é a praia mais bonita de Goa, do norte e do sul. Uma praia rodeada de palmeiras e vegetação, areia tão branca que reflete o sol e nos bate nos olhos, fazendo com que nós não consigamos abrir os olhos direito. Lançamo-nos à água que nem crianças e ficámos ali durante bastante tempo, tentando arrefecer o corpo do sol que tínhamos levado no corpo desde as 10h00 da manhã até àquela hora (13h30). Fomos almoçar a um restaurante em cima da areia, com uma vista fantástica para a praia. Comemos bastante bem e sem Zomato! :)

Seguimos caminho até às 2 praias seguintes, das quais nem o nome sabemos, mas não eram tão bonitas como as anteriores. Passámos pelo Hyatt, um resort fenomenal 5 estrelas, com arquitetura portuguesa. Ainda tentámos entrar, mas “for guests only”! Demos meia volta e fizemo-nos à estrada. Fomos até à praia Dona Paula, porque dizia na internet que era uma das mais bonitas e era mesmo abaixo do nosso hotel e quando chegámos apanhámos a maior desilusão de sempre... Uma típica praia indiana: a abarrotar de lixo, super porca e a cheirar mal. Fomos para o hotel, tomar um banho e pormo-nos fresquinhos para o nosso último jantar em Goa.

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