PORTUGAL - links úteis

ALTO DOURO VINHATEIRO

HOTEL:

Quinta de São Bernardo, sem dúvida alguma! É um hotel muito charmoso e também muito familiar. Fomos recebidos de braços abertos, apesar de nesta altura o afastamento social não nos permite abraços.

Casa Rural dos Viscondes da Várzea  - é um hotel clássico, super acolhedor, cheio de recantos para descobrir, onde se pode apanhar frutos das árvores e comer diretamente. Tem piscina de água salgada e é um excelente sºitio para casamentos.

Casa de Quintã - da mesma dona da Casa dos Viscondes, a famosa Maria Manuel Cyrne, este também é um hotel cheio de charme, com peças de antiquários super antigas, que respeita a traça do edíficio que se ergue imponente no meio deste Douro verdejante.

Quinta da Pacheca - onde se pode dormir dentro de barris de vinho! Super característico e original!

FORMAS DE DESLOCAÇÃO:

Nós fomos com o nosso carro clássico, o Valkiria. Um carro permite facilidade de deslocação e permite visitar todos os miradouros que vos falar de seguida! Mas existem outras formas bastante interessantes de visitar o Douro. Empresas que sobem o rio de barco e descem de comboio, comprar o bilhete de comboio e depois fazer caminhadas, alugar um veleiro (existem empresas já na Régua que prestam esse serviço) e passam a noite no barco enquanto passeam de dia. Os barcos também param nas quintas para que os clientes possam fazer as provas de vinho tão famosas da região.

ONDE COMER:

Nós almoçamos na Quinta de São Bernardo, na Toca da Raposa e no Castas e Pratos e os três lugares foram extraordinariamente bons. Na Toca da Raposa recomendamos o arroz de cabrito.

ONDE PARAR:

Ordem Oeste - Este

Miradouro de São Silvestre Cimo do Douro, Vila Jusã - Matos (vistas)

Entrada para a Quinta da Ferreira de Baixo (vistas)

Quinta de São Bernardo (alojamento e refeição)

Restaurante Castas e Pratos (refeição)

Miradouro São Leonardo da Galafura (vistas)

Folgosa (miradouro - vistas)

Miradouro Casal de Loivos (vistas)

Quinta do Panascal (vistas)

Estrada Nacional 222

Cascatas do Rio Bestança

Tabuaço (vistas)

Valença do Douro (vistas)

Quinta do Seixo (prova de vinhos, picnic)

Quinta de Ventozelo (vistas)

Miradouro da Abelheira (vistas)

Toca da Raposa (refeição)

São João da Pesqueira

Quinta da Gricha (vistas)

Foz do Tua (vistas)

Nagozelo do Douro (vistas)

Miradouro de São Salvador do Mundo (vistas)

Ferradosa (vistas)

Os sítios são nas duas margens do Rio, por isso sugerimos usarem o Maps.me para planearam bem a vossa rota, para não andarem para a frente e para trás.

ALTO DOURO VINHATEIRO - diário de viagem

FIM DE SEMANA DO DIA 4 E 5 DE JULHO

JULHO 2020

ALTO DOURO VINHATEIRO

O nosso desafio era mostrar-vos o máximo que conseguissemos do Alto Douro Vinhateiro em 2 dias, mas não prevíamos que estivesse tanto calor e como optamos por fazer esta roadtrip no nosso Valkiria acabamos por demorar bastante mais tempo. Entre tentativas de arrefecer o carro, quer fosse para conseguirmos entrar lá dentro, quer fosse para conseguir que ele pegasse, e o tempo que acabamos por “perder” nos miradouros que visitamos, porque de facto são vistas inacreditavelmente fabulosas, terminamos a viagem sem conseguir visitar metade do que nos desafiamos quando saímos de Leça.

Mas vamos começar pelo início!

Sábado às 9h30 estavamos a entrar num Valkiria bem disposto e fresco, com todo o equipamento (máquina fotográfica, drone, estabilizador, telemóveis, carregadores de baterias, etc), com a ansiedade a bater no seu pico máximo.
Ainda tentamos começar a viagem junto ao Douro no Porto, mas o transito não permitiu e como tínhamos de estar na Quinta de São Bernardo para almoçar, tivemos de abdicar desse plano e atalhamos pela autoestrada até Baião. Aí descemos para o Douro e iniciamos com o Miradouro de São Silvestre Cimo do Douro em Vila Jusã, que nem sequer estava no nosso roteiro, mas na passagem cá em baixo vimos a vista maravilhosa e achamos que merecia um desvio. O sítio tem uma vista surpreendente e o drone deu início ao seu trabalho.

Quando começamos a descer para nos encaminharmos para a Quinta de São Bernardo, descobrimos outro sítio super giro, junto a uma árvore e com um background de tirar o folego. Bem, paramos de novo para fazer uma sessão fotográfica ao Valkiria, que já apresentava sintomas de calor extremo - confessamos que nós também. O Valkiria é um Mercedes de 1968 e, como devem imaginar, não tem nem ar condicionado nem vidros com proteção térmica.

Quando nos falaram da Quinta de São Bernardo, ficamos curiosos por conhecer, pois as expressões das pessoas ao falarem sobre esta Quinta era de alegria e saudade, mas confessamos que não estávamos preparados para tamanha beleza.
Chegados à Quinta de São Bernardo, somos recebidos pelo Diogo e pela Marcela com um sorriso contagiante não disfarçado pela máscara e pelas mais recentes formalidades da pandemia. Como dizem, estão habituados a abraçar os visitantes e o ambiente intimista que nos rodeia não mente. A sensação que tivemos, é que somos bem vindos, que somos parte da família e que viemos visitar o nosso avô, o mesmo do Diogo, fundador da Quinta, acrescido a dotes de sofisticação e arquitetura de interiores que nos despertam diferentes sensações à medida que percorremos os espaços comuns. O culpado é o próprio Diogo, arquiteto de profissão e cujo brilho nos olhos a falar do projecto mostra a dedicação aos detalhes do espaço. Aqueles detalhes que fazem a diferença.
As madeiras quentes, a iluminação estudada e o pano de fundo, as vinhas e o rio, tornam o local ideal para ser visitado ao longo do ano.
O espaço dispõe de apenas 7 quartos, não precisa de mais. O conceito é esse, ser intimista, confortável e familiar.
A parte que mais gostamos foi a sala de provas de vinhos. Vale a pena ficar a dormir cá só por isto. Pedro, o enólogo, descreve os detalhes técnicos, ao longo de curtas 5 horas, que deram origem ao festival de sabores que estamos a experiênciar. O tempo passa a voar. É uma experiência a não perder, informal, esclarecedora.
E o restaurante? Orquestramente dirigido pelo chefe Tiago Moutinho, somos brindados com sabores e produtos portugueses e da região. Cogumelos, alho, bísaro, funcho, enfim... Uma explosão de sabores locais pensados até ao mais ínfimo detalhe e uma cozinha erudita, graças a anos de estudo e experimentação à procura do sabor perfeito.
Depois de uma visita e de nos explicarem como tudo funciona e de um menu de desgustação para nunca mais esquecer, saímos quase a rebolar e de barriga feliz e coração cheio para visitarmos os miradouros mais especiais da região.

Queriamos fazer uma filmagem com o drone do Valkiria a navegar junto ao rio e a Filipa passou para o volante quando paramos no sinal vermelho junto à linha do comboio.
No preciso momento em que o sinal abre, o Valkiria “morre” com alguns carros atrás de nós. Nem para a frente nem para trás. A Filipa sai do carro e começa a ajudar os outros carros a ultrapassar para podermos fazer a manobra para estacionar o Valkiria. Lá empurramos o carro de 2 toneladas para a beira da estrada e como não havia sombra, tivemos de parar debaixo do sol das 17h. Conseguimos arranjar uma frincha de sombra e esperamos 20 minutos até tentar ligar o carro de novo. Tivemos sorte e ele pegou. Dentro do carro não conseguiamos tocar em nada pois estava tudo a escaldar. Aos saltinhos no banco para não queimar o rabo, lá seguimos viagem. Aproveitamos que havia uma bomba de gasolina ali perto e fomos encher o depósito até cima e analisar o carro. Ligamos aos nossos amigos da zona e fomos ter com eles para podermos pousar o nosso carro e andar no deles. Para refrescar fomos beber um gin a Vila Real e depois fomos jantar à Régua onde, como surpresa para nós, estavam mais amigos à nossa espera.
Lá festejamos o facto de estarmos juntos num sítio tão lindo e fomos dormir.

No dia seguinte começamos pelo Miradouro de São Leonardo da Galafura. Não vos sabemos dizer qual dos miradouros gostamos mais, se este se o do dia anterior. Em ambos encontramos vistas dignas de reportagem em revistas internacionais e sentimo-nos orgulhosos do nosso Portugal, por ser tão lindo e especial. Em todas as nossas visitas, contaram-nos que, antes da pandemia, passavam por lá turistas de diversas nacionalidades e que afirmavam que Portugal era um dos países mais bonitos que já tinham conhecido. Não podemos discordar! Portugal oferece tudo: campo, praia, natureza, ilhas, gastronomia, road trips… e com sorte, até neve temos!

Deixamos São Leonardo da Galafura e dirigimo-nos à Quinta do Seixo. Da Régua até Pinhão a estrada torna-se inacreditavelmente cénica e de tirar o folêgo. A cada km sentimo-nos na obrigação de fazer filmagens, tirar fotos e damos por nós a olhar pela janela do Valkiria de boca aberta e só dizemos “UAU!”

A Quinta do Seixo é tão bonita como imponente. No seu bege clássico, a contrastar com o verde das vinhas e o azul intenso do céu, que neste dia estava sem uma nuvem, ergue-se na colina e parece planar sobre o Douro. O caminho que nos leva à recepção é já rodeado de vinhas e vai-se contorcendo e vai-nos mostrando o Douro aqui e acolá, numa das melhores vistas da região. Estamos tão entusiasmados com esta visita que nem conseguimos segurar o sorriso que continuamente nos assalta a face.
À chegada, nem conseguimos esperar pelo início da visita e pusemos imediatamente o drone no ar! As vistas são tão únicas e a presença das colinas sobrepostas é tão intensa que chega a ser hipnotizante. Qualquer foto ou filmagem que se faça aqui vai ser um sucesso.
Ao iniciarmos a visita, contam-nos um pouco sobre a história da Quinta e dos vinhos, mostram-nos onde se faz o vinho, como se produz e onde se guarda. Levam-nos ao lagar, onde se calcam as uvas e ainda nos mostram um video sobre as vindimas. Cheios de orgulho, dão-nos vinhos de mesa e do Porto a provar e podemos dizer que o orgulho que sentem é pouco para descrever os vinhos que provamos! A acompanhar uma deliciosa tábua de queijos, com compotas e tostas, deliciamo-nos enquanto ouviamos a explicação sobre estes vinhos tão conceituados.
A verdade é que desde pequenos, tanto para a Filipa como para o Diogo, o Sandeman faz parte das viagens que faziam com os pais. “O homem da capa preta” como lhe chamavamos era uma presença constante pelas janelas do carro e era um vinho de eleição. Por isso, poder saber mais sobre o “homem de capa preta” é um privilégio e uma alegria para nós.
Levaram-nos à zona onde fazem os picnics, uma área rodeada de oliveiras com um pequeno tanque onde se ouve água a cair, que traz uma frescura bem apreciada em dias tão quentes como este, quando o calor começa a apertar.
É importante relembrar que estamos na mais antiga região demarcada do mundo e é de peito feito que dizemos que não desilude!
Quando a visita terminou, fomos explorar as vinhas, que se voltam para o Douro, enquanto um barco rabelo passeava lá em baixo.

 

Abandonamos a Quinta do Seixo, de papo cheio e encaminhamo-nos para a Régua novamente para irmos almoçar ao Castas e Pratos.
A expectativa ia alta, confessamos. Alguns de vocês no indicaram este restaurante como um dos melhores do Douro e estamos a contar que assim seja.

A localização na marginal da Régua, no antigo armazém ferroviário, torna-o fácil de encontrar e ponto obrigatório de passagem para as principais atracções do Alto Douro vinhateiro. Diria mesmo que é impossível não dar de caras com ele.
Depois de novo sobreaquecimento da bomba de gasolina do Valkiria graças aos 40 graus de temperatura ambiente e de sermos obrigados a estacionar a braços do outro lado da ponte da Régua, caminhado 15 minutos debaixo de um sol escaldante, chegámos a um autêntico oásis de frescura.

Já nos esperavam, fomos formalmente recebidos e desde logo notamos o agradável e amplo winebar onde é possível passar uma boa tarde a degustar os vinhos da região com os amigos. Se o calor não apertar, é possível passar para o terraço exterior, uma original carruagem adaptada, e petiscar a tarde inteira. Se olharmos para o lado, assistimos a rotina dos (esporádicos) comboios a chegar à estação, indiferentes a tudo isto. O espaço está recheado de design, tal como apreciamos. Faz parte da experiência gastronómica.
Fomos levamos ao andar superior onde recuperamos lentamente do calor excessivo, bebendo copos de água sucessivos até o estômago não permitir mais. Foi aí que fomos brindados com uma experiência gastronómica digna dos melhores restaurantes que já estivemos. Os detalhes dos sabores, as texturas, a experiência visual, tudo conta.

 

Comemos 2 entradas:
1 - um ceviche de robalo divinal com gelado de mostarda que mal o pousaram na mesa nos fez salivar só de olhar para o prato
2 - vieiras seladas com cremoso de ervilhas e presunto desidratado e limão, que se derreteram na boca mal lá as pusemos
De seguida apresentaram-nos um prato de peixe e um de carne:
1 - bacalhau com brandade do mesmo e espuma de açafrão e se só a descrição não vos fizer babar, quando olharem para a foto vão com certeza ficar de queixo caído
2 - barriga de leitão com batata vitelotte, que rivaliza com o leitão da bairrada com sucesso
E como se ainda tivessemos fome, trouxeram 2 sobremesas:
1 - creme de kalamansi, crocante de leite, lima e gelado de hortelã e mal pusemos uma colherada desta mistura na boca, vimos deus
2 - mousse de queijo recheada com doce de ovos e maracujá que finalizou a nossa prova com fogo de artifício mental


Este restaurante é para foodies, para quem realmente gosta de comer e apreciar cada detalhe posto no prato. O chefe Hugo Ribeiro faz sem dúvida um excelente trabalho e a escolha dos vinhos que acompanharam a nossa prova foi boa!
Foi com um enorme prazer que tiramos as fotos, fizemos os videos e os devidos boomerangs neste espaço tão bonito.

Ao chegarmos ao Valkiria, às 15h30 da tarde, debaixo de um sol de 39º e abrimos as portas para entrar, pensamos que íamos assar que nem um peixe no forno. Lá dentro estava, seguramente, mais do dobro da temperatura que estava cá fora e ainda tínhamos uma série de miradouros para visitar.
Foi com o rabo a pelar que entramos no carro e iniciamos o caminho até o miradouro de Casal de Loivos, quando o Valkiria foi abaixo de novo… Desta vez conseguimos parar à sombra e a espera foi mais curta, mas infelizmente chegamos à conclusão que não dava para seguir com o nosso plano e optamos por abortar, com imensa pena, por não podermos visitar os miradouros que tínhamos para domingo e que eram os melhores da lista.
Fica a lista no topo da página, caso queiram explorar vocês. Nós prometemos voltar em breve para terminar a nossa missão.

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