INDIA

Outubro de 2016

 

ROTA DOS INDIANA JONES:

Partimos dia 4 e parámos no Dubai para um encontro com os nossos amigos hospedeiros de bordo da Emirates para passar o dia 5 com eles, ficar finalmente a conhecer a cidade dos multimilionários, alguma diversão e muitas risadas certamente, O Tobi e o Steve não nos vão deixar ter um único momento de aborrecimento.

Partimos dia 5 à noite, em direção a Delhi para irmos ter com o Shivramkrishna Patil, o nosso querido amigo que vai ser o nosso guia de Delhi até Agra. Passamos 1 dia em Delhi, apanhamos um carro até Agra para ver o Taj Mahal, passando por Matura e Fakthepur.

De seguida, vamos de carro até Jaipur, passando a noite aqui e no dia seguinte vamos até Pushkar, a cidade das corridas de camelos no meio do deserto do Rajastão.

No dia seguinte vamos até Jodhpur, a cidade azul da Ásia e depois seguimos até Udaipur, para ver o seu grandioso lago com um dos hotéis mais caros a flutuar.

Apanhamos um voo até Mumbai onde ficamos 2 dias.

Vamos de comboio até Goa, onde temos 2 dias para visitar a parte norte e a parte sul, praias e a cultura portuguesa.

Apanhamos um voo até Kerala, para nos embrenharmos nas Backwaters de Alleppey, para dormir uma noite num barco e no dia seguinte visitar as plantações de chá e ver a vida selvagem e montanhas.

É aqui que interrompemos a nossa estadia no continente para irmos até às Andaman, à ilha Havelock para fazermos mergulho, apanharmos banhos de sol, relaxarmos e fugirmos um pouco à confusão indiana.

Voltamos para passar um dia em Calcutá e de seguida viajamos para Varanassi, a cidade que mais curiosidade eu tenho.

Espero que consigam nos acompanhar e que cada experiência nossa seja partilhada convosco.

Beijinhos!

Indiana Frias!

PS: acho que estou preparada para a Índia... veremos!

HERE WE GO!

Depois de um dia super complicado, conseguimos dormir quase 3h para estarmos no aeroporto às 4h00 da matina. Com um sono de caixão à cova, dores no corpo (do meu último treino com o PT) e já com saudades da nossa nova casinha no coração, chegamos ao aeroporto. Estamos agora à espera que digam qual é a nossa porta para embarcarmos, com um pequeno-almoço caríssimo na barriga.

Estamos ansiosos por chegar à Índia e viver toda aquela azáfama indiana!

Beijinhos e abraços dos Indiana Jones!!

Fi

Chegamos a Frankfurt, depois de um vôo de 2h30 a dormir de boca aberta!! Como me dói o pescoço... NOSSA!! Agora temos 3h aqui, para apanharmos o vôo para o Dubai para irmos bambolear pelas ruas e bares do Dubai com os nossos amigos Steve (nasceu no brasil, mas mora fora desde cedo) e o Tobi (australiano), os dois gays ("Not a couple!", como eles tanto fizeram questão de frisar na Coreia do Norte, onde os conhecemos), super curtidos e sempre bem-dispostos! O Steve vai-nos buscar ao aeroporto (chegamos por volta das 22h) e vamos logo em cruise mode para partir Dubai a meio!

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!!

Fi

DELHI...CIOUS!!!!

Fomos recebidos em Delhi com uma percentagem de poluição que há muito tempo não se via em Delhi. Disse-nos um indiano que estavam com 210% de poluição... de 0 a 100, como toda a percentagem! :D

A poluição é tal, que os olhos ardem tanto que só fechados é que se aguenta. A garganta arranha e temos uma tosse de cão! Vê-se imensos turistas com máscaras na cara... Cheiram a leitinho!

Quando saímos do aeroporto, o Shivram já estava à nossa espera com uma amiga, com cara de chinesa (os pais são chineses, mas ela nasceu cá) e ela contou que quando era pequena lhe chamavam "chaomein", o prato de massa típico chinês. Fomos de uber até ao hotel, que fica na Main Bazar, uma das ruas mais movimentadas e barulhentas da cidade. Aqui todas as portas são lojas que vendem tudo... tudo mesmo! As ruas são sujas e num passo cheira a caril, no seguinte, a xixi! Ou pior... Todos os carros, bicicletas, riquexós, motas e tuc-tucs apitam para que as pessoas saibam que vão passar. Qualquer buraco entre pessoas e qualquer veículo dá para eles passarem e eu fico parva como é que eles não batem em ninguém. Chega a ser ensurdecedor e por vezes, apitam durante 5 segundos seguidos. Parecem chateados, mas não. Ninguém reclama, nem se chateia.

A temperatura está excelente! Só 28 graus, o que facilita imenso suportar a sujidade e a sensação desagradável de estarmos sujos. Eles disseram que a temperatura chega aos 48 graus e eu nem quero imaginar como seria com essa temperatura... Disseram-nos que esta é a melhor altura para vir cá, por esse motivo. Ficamos felizes de termos acertado. Obrigada besttimetovisit.com!!!

Quando entramos na rua, fiquei preocupada com a qualidade do hotel... mas quando lá chegamos vimos que não havia motivos para preocupação. Muito limpo, arejado, cheirava bem e o quarto, apesar de não ter janelas (o que não é mau de todo, devido ao barulho que vem da rua) é muito bom! Pelo menos para este standard.

Saímos com o Shivram do hotel e começamos a explorar o Main Bazar! Lojas, lojas e mais lojas e mais lojas, todos os monhés a quererem vender as coisas deles e eu ainda meia baralhada com tanto barulho. Fomos trocar euros para rupias e seguimos para o templo dourado. Lá o Shivram disse que tínhamos de entrar descalços e com um lenço na cabeça (duvidei logo do lenço, graças à partida que me pregaram no Dubai) e fiquei um bocadinho receosa de andar descalça... mas lá deixei as sapatilhas, as meias, enchi-me de coragem e lá fui eu: descalça! Pezinho no chão, aparentemente limpo, a olhar para onde ia pôr os pés para não me arrepender mais tarde. À entrada do templo, temos de passar os pés por água para "limpar" os pés antes de entrar no sagrado templo dourado. Limpar... pois! Lá pus o lenço na cabeça, confirmando que toda a gente o usava e entramos no templo. Por fora é todo branco, em mármore e por dentro, todo dourado. Ouvem-se uns cânticos a chamar para rezar, fabulosos, quase mágicos. À saída tiramos umas fotos e sentamo-nos para apreciar o que nos rodeava. Há pessoas que tomam banho numa espécie de lago pequeníssimo (quase uma piscina enorme) antes de entrar no templo. Que nojo! À saída o Shivram contou que as pessoas mais religiosas, acreditam que a água onde toda a gente que entra no templo lava os pés, é sagrada e então bebem-na para se purificarem… COMO ASSIM?????

Saímos e fomos de riquexó, de graça até ao metro. À saída do templo existem uns riquexós gratuitos para transportar as pessoas para onde quiserem. Temos de esperar, mas se é de graça, esperamos sim senhor! O metro não é tão sujo como eu estava à espera que fosse. Tem imensa gente, é verdade, mas aguenta-se bem. Ninguém me apalpou o rabo, nem nada!

Chegamos a Old Delhi e começamos a caminhar até ao Red Fort. Vimos na rua pessoas a dormir no chão, no meio da terra e entristece-me pensar que a vida deles é tão má… mas eles parecem não se importar. Não conhecem melhor. A poluição a esta hora sente-se mais e a garganta já não se aguenta. Quando chegamos ao forte, quase não se conseguia ver o forte por inteiro, tal era o fumo no ar. Decidimos não entrar lá dentro e ficamos cá fora a tirar umas fotos. Não vi quase papagaios nenhuns, mas muitos abutres a rondar. Apanhamos um uber e fomos até à casa de um amigo do Shivram, para jantarmos lá. O jantar ainda demorou, mas estivemos a conversar imenso e ele mostraram-se muito interessados nos nossos mergulhos, principalmente quando dissemos que mergulhávamos com tubarões. Estavam super curiosos nos nossos encontros com os grandes peixes do oceano. Quando lhes falamos da Coreia do Norte, ficaram extasiados e encheram-nos de perguntas. São pessoas super cultas e com conversas interessantíssimas! Apesar de muitos deles nunca terem saído da India, sabiam muito sobre o mundo. O jantar foi muito agradável e estava delhi…cious!!! Viemos embora à meia-noite, a tempo de dar os parabéns ao Jorge, que faz anos hoje!! PARABÉNS MACACO!!!

Fomos dormir e dormimos 9h numa cama extremamente confortável para acordarmos sem saber bem onde estávamos.

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!

Fi

 

 

 

 

 

 

 

LOST IN DELHI

O dia de hoje começou muito lentamente. Acordar às 10h da manhã, sair da cama com tempo, ir tomar o pequeno indiano e caminhar por ruas e ruelas do Main Bazar.

Um passo de cada vez!

Ontem tínhamos dito ao Shivram que quando acordássemos que lhe mandávamos uma mensagem a marcar a hora para nos encontrarmos. Quando acordamos, assim fizemos. Ele disse que só podia vir ter connosco às 15h e nós então decidimos ir devagar e “gastamos” o nosso tempo, conforme nos apeteceu, sem pressas. Fomos tomar o pequeno-almoço no hotel e comemos um pão meio estaladiço com compota (eu) e com manteiga (Diogo), leite (eu) e leite com café instantâneo (Diogo) e cada um de nós pediu uma panqueca (que acabou por ser um crepe) com banana e chocolate. Quando estávamos a terminar o pequeno-almoço, vimos 2 ratinhos muito pequeninos a tentar chegar à comida que estava no balcão. Eu sei que é nojento, mas se fossem duas ratazanas, era bem pior! Até eram fofinhos. Bem sei que transmitem muitas doenças, etc, mas não nos fez grande confusão.

Saímos do hotel e fomos explorar os caminhos desconhecidos daqui da zona. Metemo-nos por ruelas apertadas e cheias de lixo, bancadas com frutas e legumes, peixes e especiarias. Uma maravilha! A cada passo que dávamos podíamos tirar fotos dignas de um prémio do National Geographic!! Temos imensas fotos fantásticas e foram muitos os momentos inesperados. Vimos vacas, as pessoas metem conversa connosco (já percebemos que o início de uma possível venda de qualquer artigo começa por “where do you come from?” e já nem lhes respondemos), toda a gente nos cumprimenta com um “Namaste!” e vimos também mulheres nas obras de rua (o que não faz sentido nenhum!).

Descobrimos a pólvora quando, ao tentarmos decidir onde íamos almoçar, nos lembrámos de pesquisar no zomato (uma aplicação que salva as vidas de estrangeiros que não conhecem nenhum restaurante no sítio onde estão)! Encontrámos logo uma série deles e depois de fazermos um filtro pelos preços, decidimos ir ao mais caro da zona - o PIALI! Lá encontrámos um riquexó e fizemos-nos à estrada. Quando chegámos lá ainda não tínhamos fome e fomos explorar a zona da grande rotunda em Central Delhi. Vimos lojas dignas de estarem em qualquer cidade europeia e ainda entrámos numa que vendia fatos de dois corpos e tinha gravatas brutais. Caríssimas para a Índia! Ficaram! :)

Caminhamos mais um pouco, à procura de uma pilha muito específica (e por sinal, muito rara) para o nosso computador de mergulho e que não estamos a encontrar em lado nenhum.

Voltamos para o restaurante e pedimos os pratos mais maravilhosos e sem picante que lemos (o que é impossível na Índia!) e uma entrada top! Galinha marinhada em laranja com um molho doce de maravilhoso! Eu depois comi galinha com caril indonesio que vinha com um caril espesso e cremoso (nada aguado como o Diogo me diz que costuma ser aqui) e com batata doce e arroz basmati. Babei! O Diogo pediu porco com caril vermelho que vinha com o tradicional nan (pão indiano) e estava muito bom. Mas o meu estava de chorar por mais!!

Fomos para o hotel para nos encontrarmos com o Shivram e fomos até ao bar num rooftop do hotel onde o Diogo tinha ficado com os macacos quando eles vieram cá. O Diogo ainda esteve a falar com o senhor da receção e tiramos uma foto ao computador onde o Diogo costumava falar comigo na net. Só amor!

O Shivram arranjou-nos um riquexó para nos levar ao mercado das especiarias e a meio do caminho para lá, começamos a notar que o fulano não era muito normal. Falava sozinho, gesticulava e pareceu-nos que ele era esquizofrénico… De repente, chegamos a uma zona com muito transito e ele parou o riquexó e disse que para nos levar dali para a frente tínhamos de lhe dar o dobro do dinheiro que tínhamos combinado. É que nem pensar!! Saímos do riquexó, demos-lhe 50 rupias, porque o combinado eram 100 e ele não nos tinha levado nem sequer até meio do caminho e ele começou a reclamar, a dizer que era pouco dinheiro e que assim não queria nenhum. COMO???? Então é pouco e tu dizes que nem 50 queres?? Passei-me! Virei costas e comecei a andar e disse ao Diogo para fazer o mesmo. Ele arranca no riquexó, dá meia volta e começa a dirigir-se para onde veio. Nós, sem saber onde estávamos, ficamos um pouco perdidos, sem saber muito bem o que fazer. Eu lembrei-me que tinha feito o upload do mapa de delhi e peguei no telemóvel para ver onde estávamos e como vamos chegar até ao mercado. O mapa lá apareceu e depois de encontrarmos o nosso caminho, de repente, aparece outra vez ao nosso lado o fulano e começa a dizer que “Portugal, fuck!” a reclamar e a mandar vir connosco. Nós ignorámos e seguimos caminho. Ele lá arrancava e passados uns minutos, voltava de novo para nos insultar. O Diogo ainda lhe perguntou o que ele queria e ele sai do carro para reclamar e eu só disse para o ignorarmos e seguir caminho. Eventualmente ele lá desistiu e nós encontramos outro riquexó que nos trouxe de volta ao Main Bazar. Aqui fomos para um rooftop onde bebemos uma coca-cola e sprite para relaxarmos um bocado com o stress do outro imbecil maluco!

Então, o Shivram disse-nos que não tinha conseguido arranjar o carro que nos ia levar de Delhi até Agra (eram 20h) e nós tivemos de nos arranjar sozinhos, a essa hora da noite, quando tudo já estava fechado ou a fechar. Mas conseguimos arranjar um carro com motorista que nos vai fazer o seguinte percurso connosco: Delhi - Matura - Agra - Jaipur - Pushkar - Jodhpur - Udaipur. Vão ser 4 dias de carro a visitar estas cidades do Rajastão. Não foi o melhor negócio deste mundo, mas valeu o nosso esforço de 2h30 para arranjar este esquema.

 Fomos jantar ao mesmo sítio do almoço, porque já eram quase 23h00 e já estava tudo a fechar e como tínhamos gostado tanto, optámos por ir ao mesmo. Bebemos 1 cocktail cada um e relaxamos um bocado.

Agora estamos deitadinhos na cama, à espera que o sono chegue e já com poucas horas de sono pela frente até às 5h00 da matina, hora que partimos para Agra!

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!

 Fi

VRINDAVAN, MATURA, AGRA & FATEPUR SIKRI

Saímos de Delhi muito cedo para nos pormos a caminho do Taj Mahal. Deixamos o hotel as 5h00 da manhã, ainda de noite, com o Shivram e o nosso motorista que nos vai levar até a Udaipur, a partir daqui conhecido por Mr. Boss! Ele diz que nos vai levar aos melhores sítios da Índia, que se nós o deixarmos decidir, vamos ver as melhores coisas. Vamos ver... Estamos um pouco escaldados com guias porque no final querem sempre mais dinheiro e corre sempre mal. Termina sempre com "discussões" e nós com a nossa experiência estragada. O único guia que gostamos foi o da Tanzânia, que de facto fez trinta por uma linha para que nós tivéssemos a melhor experiência de sempre - e tivemos! Mas analisando bem, demos-lhe 20€ no final de cada dia, por isso não sabemos se foi espontâneo ou se foi pelo dinheiro... Sem que nos disséssemos nada, Mr. Boss disse que Vrindavan era um sítio muito bonito e que valia a pena, se nós queríamos ver e eu, que já sabia e já estava na minha lista, disse logo que sim. Até porque já tinha decidido que não tínhamos tempo e já tinha saído do nosso itinerário. Fiquei mesmo feliz! Vrindavan é uma vila muito pequena que respira espiritualidade, onde Krishna cresceu, com templos hindus por todo o lado (Mr. Boss diz "too many temples!"), a rebentar de hindus e "holy men". Há várias maneiras de chegar aos templos: carro, cavalo, caminhar e medindo todo o percurso com o corpo. Eu explico! Deitam-se no chão com os braços estucados para cima, voltam a levantar-se e dão um passo até onde as mãos deles estavam quando se deitaram e voltam a fazer o mesmo. Tipo minhocas... De loucos! Vemos também ocidentais que aderiram ao modo de vida hindu e vieram para cá para viverem neste meio espiritual. Confesso que nos soa um pouco parvo e o aspecto deles toca o ridículo, com vestes indianas que transbordam cor, a mancha entre as sobrancelhas, olhos cheios de opium e anestesiados pelas drogas legais que lhes toldam o espírito. Cantam e dançam num estado de transe, mexendo-se como se estivessem hipnotizados pela magia de Krishna. "Hare Krishna! Hare Rama!", cantam eles, adorando o deus Krishna, que nasceu azul e morreu preto. Pedem paz, serenidade, saúde e uma vida longa de amor e felicidade. "Paz no mundo! Aleluia!" Isto soa-me a cérebros fritos de tanta droga! Mas por outro lado é encantador ver e sentir esta magia e há no ar uma espécie de mística e serenidade que dança ao som da música entoada por todos. Apetece cantar e dançar com eles. Há flores amarelas, vermelhas e laranjas por todo o lado, cores dos pós que eles atiram para os deuses e tecidos cheios de cores fortes para agradar aos deuses. Sempre que alguém entra no templo, tocam num sino para que Krishna acorde e ouça as preces de cada pessoa. Uma inglesa, que já mora aqui há uma série de anos, convida-nos para uma festa que vai haver logo à noite em honra das vacas sagradas. Tem os olhos vidrados, sorri e envia-nos boas energias com o olhar. É com muita pena que abandonamos este templo e seguimos caminho para Matura, outra vila muito pequena onde Krishna nasceu. O templo a ver é exatamente o sítio onde ele nasceu. Aparecem logo um sem fim de indianos a perguntarem se queremos um guia e colou-se um ao Shivram o Shivram. Quando entramos, apercebemo-nos que ele não falava inglês, só hindu! OH NÃO! Experiência estragada... Os guias são lixados... Ele falava e explicava tudo, com muito empenho e olhava-nos muito intensamente nos olhos... Mas tudo em hindu! Não percebemos uma palavra de tudo o que ele disse! Ele fazia os gestos e dizia as rezas dele e nós imitávamos tudo, sem saber o que estávamos a fazer ou a dizer. Parecíamos tolinhos, francamente! Um indiano explicou-nos em inglês onde Krishna tinha nascido e lá fomos nós, tocar na pedra que tinha visto o tão adorado deus nascer. A pedra é preta e eu fico sem saber se já era assim ou se é preta de tanta mão suja que já lhe tocou... Lol Se nos virarmos de costas para a pedra preta, vemos uma parede que divide esta pequena sala de uma gigante mesquita, construída pelos muçulmanos que (as usual!) optam por erguer as suas construções mesmo em cima dos locais sagrados das outras religiões! Idiots!!! Claro, com monumentos muito muito muito maiores e mais opulentos! Que povo mais mesquinho e estupido! Há macacos por todo o lado, que tentam roubar tudo o que os turistas tenham nas mãos! Mexem no lixo, à procura de comida e acasalam por todo o lado, sem vergonha ou filtro! Matura é uma vila muito pobre, tal como Vrindavan, cheia de carros, bicicletas e indianos que percorrem as ruas sem medo de acidentes. Pedimos ao Mr. Boss para nos levar até à beira rio e paramos num ghat. Um ghat é onde se queimam os corpos e se lançam as cinzas ao rio. Tiramos umas fotos e seguimos caminho. Quando chegamos a agra eu já estava a dormir pesado. Paramos o carro perto de uma das entradas para o Taj Mahal e o resto fizemos a pé. Estava uma fila enorme, em que 95% eram indianos. Vimos poucos ocidentais, para o número pesado de indianos. Ninguém me podia preparar para a primeira imagem que se tem do Taj Mahal... O monumento está rodeado de muralhas vermelhas, cor de sangue, que contrastam com a pureza do branco da mármore e com o verde das árvores e relva e com o azul das águas das fontes que enquadram a imagem. A primeira imagem é através da grande porta vermelho sangue com inscrições árabes. É maravilhoso e indescritível! Tiramos imensas fotos a tudo para mais tarde recordar as sensações que sentimos. O interior do Taj é muito pequeno. Não estava à espera que fosse tão minúsculo. É um espaço circular que deve ter de raio no máximo 12 metros... À volta desta nave central há uns espaços com padrões árabes onde as pessoas se sentam, apesar de dizer que é proibido sentar ali. Assim como diz que não se pode tirar foros e toda a gente tira, inclusive nos! No entanto, o mais incrível deste espaço são as fotos que tiramos com indianos! Cedemos à primeira foto e quando damos por ela, temos uma fila de pessoas que também querem tirar fotos connosco. Cada um tira umas 5 fotos e venha o próximo! As crianças são adoráveis e temos fotos incríveis! Uma das meninas só queria brincar comigo e estava sempre a dar-me "high fives" e a rir-se para mim. À saída, queria agarrar-me na mão e não me queria largar mais! Dava-me beijos nas mãos e queria tocar-me na cara. Juntei a minha testa à dela e demos uma turra muito boa e fofinha! Tive de lutar para tirar a minha mão da dela porque o Diogo e o Shivram já estavam bem longe de mim! Foi amoroso! Fomos almoçar ao Joney's e os três comemos muito bem por 6€, os 3!!! CARO, muito caro!! Lol Tiramos a foto da praxe com o Joney e seguimos caminho para ir ter com o Mr. Boss para deixarmos o Shivram na estação para ele voltar para Delhi. Despedimo-nos calorosamente do nosso amigo com promessas de o ver em breve em Portugal! O caminho até Jaipur foi longo e chato e dormi quase o caminho todo. Chegamos lá mesmo a tempo de irmos jantar! O nosso hotel é tão imperial que nem há palavras para o descrever! Foi o hotel mais caro até agora (53€/noite) mas valeiro a pena. Dormimos como marajás!! Lol Fomos jantar a um sítio espetacular, de novo ajudamos pelo zomato (que está a ser a nossa salvação) e lá disseram-nos que o estado tinha proibido de aceitar notas de 500 e de 1.000 (1.000 são 12€). Grande problema para nos, que só temos notas desses valores! Vamos ter de ir de manhã a um banco para trocar...

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!

Fi

JAIPUR & PUSHKAR (o dia em o mundo mudou... Shame on you, America!)

Quando o despertador tocou hoje de manha, nem queriamos acreditar... As nossas escolhas de hoteis têm sido excelentes, apesar de terem sido um tiro no escuro.
Este hotel, o Umaid Bhawan - Heritage Hotel, é como um oasis no meio do deserto. É um antigo palácio de marajás, todo recuperado, cheio de inscricões e desenhos indianos (um pouco similar aos árabes mas mais colorido) com corredores cheios de quadros com fotografias das familias dos marajás que ali viveram durante os séculos. O quarto é todo mobilado com peças antigas recuperadas, o chão é em mármore com o veio a casar, temos pequenos nichos todos trabalhados e uma espécie de varanda fechada com pequenas janelas que têm vista para a piscina que por sua vez está ao mesmo nível das nossas janelas. O tecto é todo desenhado, com ventoinhas douradas. A casa de banho é digna de um rei! Um duche enorme com um chuveiro queda de água no centro, uma banheira de hidromassagem e uma sanita com tampo soft close (aqueles que se deixa cair e ele cai devagar)! Próprio para um marajá fazer cócó! Até o papel higiénico é diferente, mais espesso e macio! Só tenho uma nota a acrescentar... as escolhas destes indianos dos cerâmicos que usam deixa muito a desejar! Se tivessem escolhido uma mármore branca, teriam sido muito (mas muito) mais felizes no ambiente!
Fomos tomar o pequeno almoço ao rooftop do hotel, que é muito idêntico a um rooftop árabe. Faz-me lembrar um restaurante onde almoçamos em Marraquexe! Tudo à nossa volta é pobre, o que evidencia ainda mais a realeza do sítio onde estamos. Os balcões são dourados, todos trabalhados com alto relevo! Pegamos em torradas, manteiga, mel, crepes, uns pães tipo nan mas crocantes, umas bolas tipo sonhos recheadas com uma pasta de caril, leite e café. Entretanto chegou o Mr. Boss e deixámos o palácio para conhecer os pontos mais interessantes desta cidade, para depois começarmos a viagem até Pushkar.
Ele levou-nos até à cidade rosa, repleta de fortificações e muralhas, onde tudo é cor de rosa. Vimos sítios maravilhosos e tirámos fotos tipo postais!
Entretanto, fomos até ao palacio Ambar, que está situado no topo de uma montanha e onde é possível subir até lá cima de elefante. Nós não tínhamos tempo e por isso só tirámos umas fotos lindas aos majestosos elefantes, cobertos por panos de cores intensas com homens com turbantes coloridos a conduzi-los! Fomos embora com pena de não termos tempo para subir de elefante, mas por outro lado não concordamos com a maneira como eles são tratados nestes ambientes. O que nos amacia o coração é saber que os hindus respeitam imenso os animais pois acreditam que numa vida passada esses animais podem ter sido a mãe, o pai ou um familiar chegado deles.
Pé no acelerador até Pushkar, depois de uma visita ao banco para trocarmos as notas de 1.000 e de 500 por notas mais baixas. Batemos com o nariz na porta porque para além do governo ter inventado isto (para acabar com a fuga ao fisco e para acabar com o mercado negro), decidiu tambem fechar todos os bancos por um dia, porque sabiam de ante-mão que iam precisar de muitas notas de 100 rupias para trocar no dia seguinte e tinham de se organizar! Como diz o Mr. Boss: "No sense!"
Depois de uma viagem de 3h30 até à cidade do festival de camelos, (em vez das 2h30 que nos tinham "prometido") deparamo-nos com um cenário apocalíptico de pobreza, sujidade e camelos, no meio de um deserto seco e debaixo de 35 graus à sombra! Camelos a perder de vista preenchem as nossas fotos e os nossos sorrisos. Tendas de multiplas cores, acampamentos com pessoas a dormir lá dentro, rodas gigantes, balões de ar quente, camelos, cavalos (onde havia também a apresentação dos cavalos vencedores de prémios, lindos com pêlo sedoso e bem escovados), tendas de vendas de todo o tipo de artigos e tours ao deserto, viagens de camelos, de cavalos, venda de snacks e comida... Parece um festival dos anos 60, tipo flower power, com rastas, charros, chinelo no dedo e panos à tapar o corpo. E camelos! Camelos, camelos, camelos por todo o lado!!
Quando saímos do carro, começamos logo a marralhar preços para andarmos em cima de um camelo. Mas começamos a reparar na figura ridícula que os estrangeiros fazem em cima dos camelos, debaixo do sol direto... parece que não bate a bota com a perdigota. Já para não falar no sol e no calor que íamos apanhar durante 2h00 a andar pelo festival. NOT FOR US! Optámos por não andar de camelo. Foi a melhor opção de sempre! Andámos pelo festival, tirámos fotos brutais, podemos tocar nos camelos, nos cavalos, fomos entrevistados pela CNN India por causa desta história das notas de 1.000 e 500 rupias e almoçamos muito bem. Eu quase fui mordida por um camelo e o Diogo quase abalroado por outro, no meio de tanta confusão e barulho, com camelos a "arrotar" (o som que fazem parece mesmo um arroto!), buzinas e música a tocar, pedintes por todo o lado a chamar-nos, indianos a chamar por toda a gente para vender coisas e cavalos a relinchar. O CAOS!!!

Às 16h00 voltámos para o carro e partimos em direção a Jodhpur, a cidade azul. Todos o indianos se revoltaram contra o governo e decidiram ir para a rua mostrar a sua revolta, o que fez com o que o transito ficasse ainda pior do que o normal. Todos os carros e camiões apitavam sem parar, demonstrando a sua ira. Era ensurdecedor! O Mr. Boss decidiu então fazer a estrada secundária para nos poupar ao trânsito e tentar chegar mais cedo a Jodhpur. Foi uma viagem horrível, cheia de solavancos, calor e apanhamos transito de qualquer forma... Eu ainda consegui fechar os olhos e dormi durante 2h00 das 4h30 que demorou a viagem. Quando acordei já era de noite e o Diogo estava cheio de dores de costas e decidimos trocar de lugar para ele se estender no banco de trás e dormir um pouco.

Quando chegámos ao nosso destino, nem queríamos acreditar! A cidade é enorme, mas só Old Town é que é azul e é bastante pequena, o resto da cidade, fora da muralha, tem cores normais nas construções. Mas como ainda era noite, nem deu para ver muito bem. O nosso motorista lá nos deixou o mais perto do hotel possível (carros não entram na Old Town) e apanhámos um riquexó até ao hotel. No entanto, nem o riquexó consegue ir à porta do hotel e tivemos de andar uns 50 metros. Tranquilo! O nosso hotel é todo cor de sangue por fora e azul por dentro. As pessoas são muito simpáticas e dão o seu melhor para nos sentirmos confortáveis. Começamos logo a falar com eles e ofereceram-nos umas cadeiras para nos sentarmos. Depois de alguma conversa, explicaram-nos algumas regras do hotel, nomeadamente os horários do restaurante e onde ficava, deram-nos a pass da net e mostraram-nos o nosso quarto, que fica no último andar com vista para o grande forte da cidade no topo da montanha, todo glorioso e imponente, ao estilo senhor dos anéis! Fantástico!!! Mais uma excelente escolha!

Fomos jantar ao rooftop do hotel e o dono acabou sentado ao nosso lado, a conversar connosco sobre o mundo e inevitavelmente sobre o Trump e as eleições americanas. Tínhamos acabado de chegar quando vimos na net o resultado das eleições e todos os comentários pelo mundo fora sobre o assunto. O nosso primeiro comentário foi "Qual vai ser o nosso destino de eleição para fugirmos quando a terceira guerra mundial rebentar?"... É assustador saber que há pessoas neste mundo, neste século, e depois de toda a história mundial, nomeadamente a Alemã, capazes de eleger para presidente de uma potência mundial como são os estados unidos, um homem desta espécie. É capaz de ser o único capaz de acabar com a guerra fria em que vivemos, mas outros problemas daqui advêm e ninguém sabe quais serão a repercussão que isso terá no mundo. Este será o dia conhecido por "o dia em que o mundo mudou" e nós nunca nos iremos esquecer que estávamos em Jodhpur quando a bolha rebentou! Houve o 11/9 e agora aconteceu o 9/11... Eu até acho que era previsível isto acontecer... O próprio Trump (que em 1998 chamou os americanos de estúpidos e previsíveis) previu que ia ganhar as eleições, quando se candidatasse como republicano, porque sabia mover multidões. A multidão é emocional! Enfim... Triste! É como nos sentimos!

Fomos dormir com um peso nos ombros e tristes pelo destino do nosso mundo.

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones

Fi

Quinta, 10 de novembro de 2016

JODHPUR

Depois de um noite bem dormida, acordamos com o Diogo muito mal d disposto… Não sabíamos se tinha sido uma paragem de digestão ou se será a tão fatídica e tão comum intoxicação. Fomos caminhar pelas ruelas estreitas e sinuosas da cidade azul, sem tomar o pequeno almoço, porque o Diogo não quis comer e eu não gosto de comer mal acordo. Passámos por ruas estreitas com algumas paredes pintadas de azul e outras cor sangue. Ainda não eram 9h00 da manhã e o lixo está todo “entalado” num canto das ruas, com os varredores de rua a recolher mais lixo, mulheres a varrer a rua (e atirar o lixo para a frente do vizinho), miúdos a fazerem xixi para a rua, salpicando os pés de quem passar perto), cães a vasculhar o lixo à procura de comida e vacas a dormir tranquilamente em cima dele! Quando passámos por este cenário, vem um cheiro horrível que não pica no nariz mas sim no cérebro e dá vontade de vomitar mas em vez disso apressámos o passo para um lugar (mais) seguro.

Tínhamos combinado com o Mr. Boss às 9h00 para irmos trocar as nossas notas ao banco e às 9h00 em ponto lá chegou ele. Ainda tentámos ir ao western union, para tentar fazer um depósito numa conta em portugal, mas não aceitavam depósitos, só fazer levantamentos. O problema é que temos cerca de 39 notas de 1.000 rupias e em cada visita ao banco, eles só nos deixam trocar 4.000 por pessoas, isso significa que temos de lá ir 5 vezes para trocarmos tudo o que temos… Que grande seca!

Lá trocámos as 8.000 rupias e fomos tomar o pequeno almoço a um sítio recomendado pelo nosso motorista. Meu deus! Que horror de sítio! Parecia um cenário pós-guerra, com toalhas que já não vêem uma lavagem há anos, cheias de manchas escuras e pó, tudo sujo inclusive as paredes, cadeiras meias partidas e desengonçadas, muito mal frequentado e com comida muito fraca. Lá comemos o mais rápido que conseguimos e fomos embora para ir ver o grande forte no topo da montanha! Parece um grande castelo medieval e a qualquer momento nos parece possível ver grandes cavalos a saírem pelas grandes portas pesadas de madeira e donzelas a acenar das altas janelas para quem parte para as batalhas.

Visitámos o museu no castelo encantado, recheado de salas todas trabalhadas, fachadas imperiais e escadarias poderosíssimas, tirámos algumas fotos e e tivemos de vir embora porque o Diogo estava a sentir-se pior. Viemos até ao quarto, depois de descermos a colina do forte até ao hotel (10 minutos a pé) e o Diogo aterrou febril durante 2h00. Eu aproveitei para fazer upload de algumas fotos (porque ainda não tínhamos conseguido ter tempo para isso) e escrever mais alguns textos para vocês lerem. Almocei no nosso hotel, enquanto falava com a minha mãe através do facebook e bebia um mango lassi (feito de iogurte e fruta, dizem eles ser excelente para o estômago) e enquanto saboreava uma deliciosa batata com molho de tomate, caril cominhos e coentros e um arroz com sementes de cominhos. Não podia estar melhor! Uma vista maravilhosa para a cidade azul, a torre do relógio que se ergue no meio das decadentes ruas, tecidos coloridos que voam pelo ar a secar, o forte altivo que parece inclinar-se nas nossas cabeças, cheiro a caril, cominhos e coentros e um céu azul… Mágico!

Quando ele acordou, fomos dar mais uma volta pela cidade e acabámos por comprar um turbante como souvenir de Jodhpur. Num laranja bem forte, como vemos nos homens santos, viemos todos lampeiros e felizes para o restaurante recomendado pelo nosso hotel. O restaurante do nosso hotel é excelente, mas quisemos experimentar outro para termos outra perspetiva da cidade. Fomos jantar, quero dizer, fui jantar, com o Diogo a fazer-me companhia, porque não quis jantar e voltamos para o quarto ao som dos cânticos árabes que duram a noite toda, tornando-a meia encantada.

Amanhã vamos de carro até Udaipur e ficamos lá 2 dias para de seguida irmos para Mumbai!

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones

Fi

MR. BOSS

Não podia deixar de falar um pouco do nosso motorista. Já devem ter visto fotos dele, um senhor com barba cinza e turbante rosa (quase lilás) e outras vezes laranja, com um sorriso simpático. Logo na primeira vez que nos conhecemos, ainda em Delhi, às 5h00 da madrugada, ele tentou dizer o nosso nome, mas são tão difíceis para ele que ele “batizou-nos” de Sweetie e Mr. Peter. Escusado será dizer que eu sou a Sweetie! :) Como o nome dele também era difícil, ele também levou com o nome de Mr. Boss, porque estava sempre a dizer que nós devíamos fazer as coisas como ele achava melhor. Bastante mandão, mas para tentar mostrar-nos o melhor dentro do pouco tempo que tínhamos.

Ele lá nos foi mostrando o que havia de melhor para ver e com o seu bom humor foi preenchendo os espaços vazios das nossas conversas com o Shivram. Quando deixámos o Shivram em Agra e começamos a viagem para Jaipur, ele lá se soltou e começou a ficar cada vez mais engraçado e chegou a dizer uma ou outra piada mais “picante”, nomeadamente disse que eu era Sweetie e que me podia comer… Ele lá se riu, mas nós não gostamos lá muito da piada e não comentámos. Eu acho que não foi com essa intenção…

Sempre que podíamos dormíamos durante a viagem e ele lá nos acordava quando estávamos a chegar. É um senhor com os seus 60 e tal anos, sikh, com barba comprida e (diz ele) com cabelo maior do que o meu.

Para nós os dois podermos dormir, vamos trocando de posições, entre o lugar da frente o banco de trás e sempre que eu vou à frente e o Diogo está a dormir, ele fala muito mais e vai-me elogiando. Em Jaipur, vimos uns macacos com o rabo cor de rosa e ele deu-me logo uma sapatada no rabo e riu-se como um perdido.

No último trecho da viagem, a caminho de Udaipur, queria segurar na minha mão, agarrava-me o queixo e dizia que eu era “a very nice lady”, toca-me no cabelo e diz que é um “very soft hair”, pediu-me um beijinho e disse que eu tinha mãos pequenas e macias. Acho que ele se apaixonou por mim, modéstia à parte! Quem me conhece bem, sabe que eu detesto que pessoas estranhas me toquem e isto tudo deixa-me bastante desconfortável, já para não dizer que fico completamente sem jeito quando me elogiam… nunca sei bem o que dizer e fico super vermelha. Disse logo ao Diogo que não ia mais à frente porque não é uma situação agradável para mim.

Quando nos despedimos, ele disse para nós o elogiarmos ao patrão dele, mas nós nunca mais vamos ver o patrão dele, mas dissemos “Yes! Yes, of course!” Demos uma gorjeta de 1.000 rupias e viemos embora.

Bem sei que vos parece que ele era um pouco taradão, mas tudo aconteceu em situações muito diferentes e ele nunca foi ofensivo e sempre foi um senhor muito doce e simpático. Eu é que não gosto deste tipo de situações, fico constrangida.

AS VACAS

Outro assunto do qual não podia deixar de falar - as vacas indianas. Mas que rica vida elas levam! Vida de rainhas! Andam soltas, dão-lhes mimo, comida, brincam com elas, andam pela estrada, massajam-lhes as mamas… Lol!

É incrível ver como os indianos tratam os animais. Deviam ser um exemplo para toda a humanidade! São carinhosos, quando passam por eles, fazem-lhes festas na cabeça, rezam por eles, dão-lhes comida na boca, nunca os pisam, nunca lhes batem, não os atropelam… É maravilhoso ver tanto carinho por um animal!

Ao chegar a Udaipur, um vitelo veio-me pedir mimo e eu cocei a cabeça dela e quando parei para pegar na mala, ela veio-me pedir mais e deu-me uma cabeçada na perna, como quem diz “então? já paraste?”. O problema é que não mede a força e deu-me mas é uma cornada no joelho. Não me magoou, mas assustou-me. São extremamente meigas e carinhosas, com um olhar doce e gentil. Apetece levar uma para casa, adopta-la e nunca mais comer vaca! Bem, let’s not over react! Viver sem carne vermelha, não! Um bom hambúrguer mal passado, um bife do lombo com sangue… ai que fome! :D

Mas gosto muito das vaquinhas e dos vitelinhos que por aqui andam!

TEMPLO JAINISTA, MACACOS E FEBRE

Hoje não há muito para dizer, excepto que foi um dia passado em viagem entre Jodhpur e Udaipur. A viagem foi bastante longa, através das montanhas e florestas, cheias de macacos de cara preta, em estradas péssimas e cheias de buracos, entre vilas e pequenas cidades.

Despedimos-nos de Jodhpur, já com saudade. Apesar de ter sido a cidade mais suja onde estivemos na Índia (e provavelmente no mundo inteiro, até agora), deixou a sua marca, bastante positiva, pelo choque cultural e pelas diferenças que encontrámos aqui, pelo forte “de Mordor” (senhor dos anéis) todo glorioso em cima da montanha, pelo azul e sangue espalhados das paredes, os laranjas dos turbantes, os cheiros, a comida, os sorrisos, as ruas estreitas e sinuosas, os cânticos muçulmanos, os fogos de artício… 

O nosso hotel era excelente, apesar de só ter custado 37€ as duas noites e de não ter o melhor aspeto possível (não é nenhum hotel de luxo), com uma vista incrível para o forte, todo vermelho sangue por fora e azul forte por dentro, com 3 andares, mais o piso do restaurante (onde se come maravilhosamente bem) e o terraço com vista para os telhados da cidade toda!

Quando deixámos o hotel, dissemos que íamos fazer uma avaliação muito positiva no booking e o dono (modelo indiano chamado Gucci! Imaginem!) saltou de alegria!

Tivemos de voltar ao banco para trocar mais notas de 1.000 rupias e desta vez fomos a 2 bancos, porque eles anotam num papel (e não num sistema informático) os nossos nomes, por isso mais nenhum banco tinha como saber se já tínhamos trocado ou não. Enquanto estávamos na fila do segundo banco, havia tantas indianas atrás e à minha frente que uma delas, na ansiedade de entrar no banco, até me deu um murro no nariz! Nem desculpa pediu. Passados uns minutos já me dava cotoveladas nas costas, disfarçadamente, e quando eu olhava para ela, nem pestanejava. Há pessoas más em todo o lado, bolas! Depois lá dentro ainda me empurrou para passar por detrás de mim… Enfim!

A caminho de Udaipur, parámos num templo jainista, onde os crentes que lá vivem não podem sentir emoções, são vegetarianos e não podem comer nada que nasça da terra (das árvores sim), nem comer nada que tenha sabor. Por exemplo, a fruta é desfeita, passada por água até o sabor desaparecer. Se os pais os forem visitar, eles não podem se emocionar, é como se fosse outra pessoa qualquer. POR FAVOR! É impossível! Em Delhi, chegámos a brincar com este assunto com os amigos do Shivram, e foi dito que se vissem um jainista lhe davam um pontapé nos tomates para ver se ele se emocionava… Brincadeira, claro! Maneira de falar.

O templo é lindíssimo e apesar de sabermos que depois em casa (ou aqui para o blog) nunca vamos usar metade das fotos que tirámos, parece que em cada esquina a foto é melhor do que a anterior. Devo ter tirado umas 50 fotos… É um espaço imperial, cheio de pilares em mármore branco, cheios de figuras de animais e apsaras, onde nem um único milímetro é deixado em branco ou por trabalhar. É hipnotizante e mágico! Os jainistas cumprimenta-nos e nós entreolhámos-nos tipo “será que ele se emocionou?” e sorrimos em silêncio! É estritamente proibido tirar fotos aos deuses e nós assim tirámos! :) Muito disfarçadamente, só a um e outro! Para um deles até pedi autorização e o indiano não entendeu e deixou! Pateta!

Depois o Mr. Boss lá nos deixou em Udaipur e nós fomos pousar as nossas malas, já bastante pesadas com os souvenires que vamos comprando para a nossa vitrine maravilhosa da nossa casa nova (confesso que já tenho saudades!). Este é o primeiro hotel que deixa (muito) a desejar… A entrada é top! Porta dourada, inscrições, cores fortes, uma livraria antiquíssima maravilhosa… o quarto é uma bosta! Nós marcámos o quarto superior, tipo “não deve ser o pior de todos” e foi uma banhada! Nem janelas tem! Mas pelo menos está minimamente limpo. A almofada do Diogo tem um bocadinho de sangue, mas trocaram. Não havia papel na casa de banho, mas trouxeram. O quarto melhor é o Deluxe! AH!!!! Por favor, sim? Deixem de usar palavras caras para confundir o cliente, ok? Superior não é isto! Isto é muito básico, na melhor das hipóteses!

Fomos passear para aliviar o stress e expulsar a má vibe que teima em nos perseguir e fomos jantar a um restaurante do outro lado do rio, para termos a vista maravilhosa para a cidade. O restaurante pertence ao um hotel 5 estrelas e chama-se Upré. Bem, foi a melhor carne de cordeiro que eu já comi na minha vida inteira! Tão, mas tão macia… desfazia-se na boca! O arroz de cominhos, maravilhoso! Pedi um mojito para brindarmos… o Diogo começa a tremer de febre, corre para a casa de banho e vomita. Tive de comer a correr para salvar o meu marido de desfalecer em pleno restaurante. Agora estamos no hotel, ele cheio de febre e a suar em bica graças ao benuron, depois de uma chamada via skype para a médica de serviço (a minha mãe) para nos dizer o que fazer. Já estava em pânico, sem saber o que lhe fazer… Eu? Estou fina como um alho! Comemos +- as mesmas coisas e a mim não me deu nada. Para já…. Vejam as cenas do próximo capítulo!

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones

Fi

UDAIPUR

Depois do choque de chegar a um hotel pior do que o que estávamos a contar e depois de uma noite bem passada, saímos do hotel com um plano bem definido, para tentar aproveitar o máximo que esta cidade tem para oferecer.

Então, fomos tomar o pequeno-almoço a um café referenciado pelo lonely planet, que diz ser um café francês para quem anseia por um pouco de comida europeia. Lá fomos nós! À espera de comer um croissant, um cafe au lait, um jus d'orange… Com uma vista top, lá nos sentámos e começamos a ver o menu. Bem, até salivámos! O Di, coitadito, com ordens da médica (minha mãe) que só podia comer pão seco e água, estava tristíssimo. Eu pedi um pão de cereais (para não engordar tanto, ja que ando a abusar dos hidratos) e copo de leite fervido (o leite aqui é em pó, daqueles que se misturam em água… uma porcaria, mas enfim). Não é que o homem se vira para nós e diz que só tem pequeno almoço indiano??? Oh pá! Monhé duma figa!!! Fiquei triste como a noite! Lá pedimos as tradicionais torradas com manteiga e mel e o leite. O Diogo ficou-se pela torrada sem nada e água!

Descemos e fomos à descoberta do City Palace, um museu gigante, tipo fortaleza, toda em mármore branco e pedras gigantes brancas, com inscrições e pinturas dos marajás. Jardins muito bonitos e esplanadas viradas para o lago e o grande hotel Taj!

Entrámos no barco, recusando veemente entrar no museu, e fomos dar o nosso relaxante passeio de barco pelo lago, tirando fotos às fachadas imponentes e super trabalhadas de Udaipur. Passámos pelo Upré (onde tínhamos jantado na noite anterior), pelo Taj e parámos na tal ilha/hotel. Tudo é trabalhado, com grandes elefantes majestosos que marcam a entrada do grande hotel. Nas fotos que tirámos à noite, conseguem ver uns focos de luz a apontar para o céu, pois estava a haver uma grande festa e concertos aqui.

Perdemos aqui uns 20 minutos, depois de tirar todas as fotos possíveis, e voltámos para Udaipur. Fomos almoçar e começamos a procurar um sítio onde pudessemos fazer a aula de tabla e de culinária. Encontrámos primeiro a aula de culinária e conseguimos ter uma aula privada, só para nós os dois, onde pudemos escolher os pratos que queríamos aprender. O Diogo, como acha que eu já faço um bom caril (na opinião dele, melhor do que o que comemos aqui), preferiu que eu aprendesse a fazer uma batata que provámos em Jodhpur e que era deliciosa chamada Malai Kofta. Pedimos para apredenr a fazer o famoso Lassi e o Nan, o Chapati e Parantha, que são três tipos de pães semelhantes mas que depois ficam bastante diferentes! A senhora foi muito querida e deu-nos dicas excelentes para podermos usar o que ela nos estava a ensinar para fazer mais coisas, não só o que nós tínhamos pedido. Foi muito porreira! Tenho a dizer que a porra da batata ficou uma delícia!!! O Lassi que escolhemos foi o mais típico do Rajastão - Lassi de açafrão e caju e ficou de babar! Os pães são bastante mais difíceis de se fazer, requer mais técnica, mas nada que a prática não cure! Saímos super contentes, depois de 2h a cozinhar e mais 30 minutos a comer o que tínhamos cozinhado, mais um arroz de sementes de cominhos que ela nos ofereceu… escusado será dizer que o Diogo não podia comer nada disto e por isso tive eu de comer tudo. Comi por dois e saí de lá a rebolar! Claro que já não fomos jantar. E ficou bem mais barato que qualquer jantar! Foi top!!! Recomendo!

Fomos até à loja de música que tínhamos visto e perguntamos o preço, que depois de negociado, nos agradou e ficámos. O senhor lá começou a ensinar o Diogo as técnicas e os nomes dos sons que o tabela faz e depois passou-lhe os tambores para ser ele a fazer. Na minha opinião, um bom professor precisa de alterar a sua técnica de ensino perante cada aluno e ele não o fez. Queria que o Diogo aprendesse da forma que ele estava a ensinar e estava a sair tudo torto. Lá encontrámos a forma certa de aprendizagem e o Diogo conseguir criar dois ritmos diferentes e ficámos super contentes. Fizemos videos, boomerangs e gravámos o som também!

Foi um dia muito bem passado, com o Diogo a sentir-se bem melhor, mas a passar fome na aula de culinária… Que dó! Ver tanta comida boa e não poder provar sequer… Foi muito corajoso!

Terminámos o dia a comprar um casaco super giro para o Diogo, estilo Rajastão, que eles vão enviar para Varanasi, para podermos estar no melhor hotel que marcámos em grande estilo, como marajás!

Amanhã seguimos para Mumbai! BOLLYWOOD STYLE!!!

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones

Fi

FOTOS DO DUBAI

FOTOS DE DELHI

FOTOS DE VRINDAVAN

FOTOS DE MATURA

FOTOS DE AGRA E DO TAJ MAHAL

FOTOS DE JAIPUR

FOTOS DE PUSHKAR