INDIA - MUMBAI

Domingo, 13 de novembro de 2016

MUMBAI - 1ST DAY

Chegados a Mumbai, fomos recebidos por uma realidade completamente diferente da que estávamos habituados até agora na Índia. Foi quase como chegar a Bangkok, ou a uma grande capital asiática, no entanto, muito mais suja e com mais uns milhões de pessoas em cima! Caótico, é a palavra que melhor descreve esta cidade.

O aeroporto de facto sofreu uma remodelação gigante, nem sequer parece o mesmo, nem parece ser no mesmo sítio! Está arejado, com uma decoração mais ousada e leve, com árvores nas zonas de espera, candeeiros fancy e casas de banho limpas… Não se sente a humidade no ar, com o pó e insectos a colarem-se no nosso corpo. Top!

Quando saímos, queríamos apanhar um táxi para ir para o Fort, um dos grandes bairros de Mumbai. Fomos ao balcão dos “pre-paid taxi” e eles disseram que custava 700 rupias. Como nós já tínhamos lodo que o táxi para o centro custava não mais de 450 rupias, decidimos não comprar o bilhete de taxi e ir tentar encontrar um táxi com taxímetro para nos levar onde queríamos. Claro, vieram logo dois indianos chatos e um deles tentou vender-nos um taxi por 1.800 rupias! “Do we look stupid?” Apetece perguntar! Rimo-nos e dissemos que não. Veio o outro! “Sir, Sir, 1.100 rupees!” LOL!!! Oferecemos 400 rupias e isso só faz com eles não nos larguem mais… Ele oferece 1.000, nós 400. Ele 800, nós 400. Ele 700 e nós… BYE BYE!!! Lá nos conseguimos libertar deles e entrámos num táxi com taxímetro. Só por curiosidade, o taxi levava uma botija de gás na mala e as nossas malas tiveram de ir no banco da frente do carro!

O taxi acabou por nos custar 850 rupias… Na nossa opinião, ele cobrou-nos uma taxa dupla, porque quando chegámos ao hotel, o transfer do hotel (que já costuma ser muito mais caro) custava 450… Enfim, uma monhezice!

Tomámos o pequeno-almoço e fomos até à estação de comboios, para comprarmos o bilhete para Goa para amanhã. Ora, aqui é que a porca torce o rabo! Primeiro que se consiga entender o que quer que seja naquela estação é um dia de juízo e depois temos 10 cães a um osso para nos tentar vender de tudo mais alguma coisa! Procurámos por todo o lado o “Tourist Counter” e nada. Estavámos à espera de sermos atendidos por um funcionário da estação, quando um senhor super simpático nos pergunta se precisávamos de ajuda e nós lá dissemos o que queríamos e ele disse que não era ali, que era do outro lado e muito gentilmente levou-nos até lá. Apontou o sítio e despediu-se com um sorriso (sem cobrar nenhuma rugia, o que já é muito bom!). Nem há 5 segundos estávamos na fila, vem um dos funcionários de dentro do balcão e diz-nos que não era ali e levou-nos para fora da estação a dizer que era do outro lado da rua. Lá fomos nós, meios baralhados, atrás dele. Quando demos conta, já nos estava a levar para uma agência de viagens para nos vender uma viagem de 12h para Goa, em segunda classe, em “sleeper class” (com sítio para dormir) com ar condicionado por 6.500 rupias! Nós sabíamos que para Kochi (é mais a sul do que Goa, o dobro da distância e este comboio passa por Goa) custava 1.200! Rimo-nos, levantámos-nos e saímos. Ele ainda veio atrás de nós e tal, a tentar renegociar o preço… AZAR! Fartos de monhés chicos espertos estamos nós! Já estamos na Índa há 10 dias e já começamos a sentir a falta de “situações” ocidentais, tais como comida, andar na rua sem ouvir buzinas, sem pessoas sempre a chamar por nós para nos vender alguma coisa, sem os cheiros… A nossa roupa começa a ficar suja demais e já estamos a pensar em passar pela lavandaria para pôr tudo para lavar! Pensar em comprar roupa aqui, não será uma boa solução, porque parece que roupa já vem suja e com um cheiro muito característico indiano…

Lá viemos embora da agência de viagens, super chateados porque nos fizeram gastar o nosso tempo precioso aqui e andamos uns bons 300 metros, e voltámos para a estação. De repente, vimos um "Reservation Center” e tentámos a sorte. Era ali mesmo! Super contentes, pagámos 3.200 rupias em vez dos 6.500! Metade do preço! Decidimos tirar fotos ao sítio para podermos pôr aqui no blog para os próximos saberem onde é. Vamos para Goa no dia 14 às 23h00 e chegámos às 10h45 do dia seguinte.

Batalha ganha, fomos para Colaba explorar o bairro e almoçar. Já tínhamos selecionado no Zomato o restaurante Colaba Social e metemo-nos num táxi para lá. Já estávamos cheios de fome e quando vimos a riqueza do hambúrguer de carne de vaca que nos puseram à frente, nem queríamos acreditar! Eles ficaram escandalizados quando lhes pedimos o hambuguer mal passado e disseram que não faziam, só médio! Lá tinha de ser! Estava uma delicia! O Diogo já se sente bem melhor e por isso, decidimos não comer indiano para ser mais seguro.

A seguir, de papo bem cheio (quase a rebolar), fomos visitar o grande hotel Taj Mahal, onde em 2008 houve o atentado, quando uma bomba explodiu no interior do hotel e o Indian Gate, onde todos tiram fotos a apanhar tanto o hotel como o grande arco. Depois de bem explorado o hotel, fotos de inspiração tiradas e algumas selfies, fomos tirar a tradicional foto da Indian Gate para o hotel. Toda a gente a fazer o mesmo e a pedirem para tirar fotos connosco! The usual!

Estávamos cansadinhos de todo! Depois de considerar algumas hipóteses, de avaliar a dor de cabeça de cansaço, decidimos que era melhor irmos para o hotel dormitar umas 2h00 para depois ir até à praia em Chowpatty, para vermos o pôr do sol e irmos jantar. O problema é que quando pousámos a cabeça na almofada, não queríamos tirar mais… Estávamos mesmo muito cansados. Mas lá fizemos o esforço e muito lentamente (e depois de, mais uma vez, consultar o Zomato!), saímos do hotel, bem já depois do pôr do sol, entrámos num táxi e lá fomos nós para a praia.

Quando lá chegámos, nem queríamos acreditar na quantidade de pessoas que estavam na praia. Famílias inteiras, a fazerem castelos na areia, a comerem ou mesmo só a conversar, sentadas na areia, muçulmanos e hindus, todos juntos a socializarem! Nem queiram saber na quantidade de lixo que boiava à superfície da água e que se arrastava nas ondas… E atenção que era de noite e a visibilidade era bastante reduzida, sendo que estaria 1.000 vezes pior, certamente!

Depois de fotos, análises de cenários, críticas aqui e ali, metemo-nos no táxi até ao Gustoso, um restaurante italiano, onde eu comi um risotto de cogumelos delicioso e o Diogo uma pasta com ervilhas e cogumelos maravilhosa! Estava de babar! As pizzas tinham mesmo muito bom aspeto e eram gigantes! Damos conta que os indianos comem imenso, porque na mesa ao lado estavam 3 pessoas, mais novos do que nós, cada um com o seu milk-shake (que por si só já tira a barriga de misérias), com uma entrada a partilhar e comeram uma pizza os três que era tão grande que não cabia na mesa! Tiveram de pôr uma estrutura para pousar a pizza “no andar de cima”, acima das cabeças deles.

A seguir fomos ao Cubano experimentar um pub indiano chamado Cubano (imaginem!), mas era muito cedo e estava vazio. Decidimos ir a outro e entramos noutro táxi. Quando chegámos ao destino, eu ia a abrir a porta e o motorista acende a luz e eu vejo uma barata no manípulo onde eu ia pôr a mão para sair. BEM!!!!!!! ACABEI DE SAIR DA MINHA ZONA DE CONFORTO, onde estava muito tranquila, muito pacífica e serena! Qual sujidade, qual cheiro, qual hotel de merda… Não, a barata foi o que me tirou do meu mundinho zen! Começo a sentir arrepios contínuos que começam no couro cabeludo e percorrem o corpo todo até à ponta dos pés, começo a sentir comichão na cabeça, no pescoço, nas pernas, nos braços, parece que tenho a barata no meu corpo. Imagino se lhe tivesse tocado e volto a sentir isto tudo de novo e entro nesse ciclo vicioso. Acabou o meu sossego… Nem quero imaginar a viagem de regresso para o hotel.

 Lá fomos ao Bombay Bronx, que foi mais um tiro ao lado. Apesar da música estar bastante boa, com Bob Marley a tocar, o mojito que eu pedi estava uma porcaria e o ambiente não agradava. Viemos embora, depois de tentarmos resolver o problema das notas de 2.000 rupias que nos deram no banco e que agora ninguém tem troco para nos dar, sempre que as apresentamos! Uma chatice esta história das notas!!

Apanhámos o melhor táxi que nos apareceu, eu fui encolhida o caminho todo até chegar ao hotel e me meter na caminha para escrever este post! O Diogo já ressona e amanhã não temos despertador!! Vamos à favela indiana (super segura!) e de tarde vamos analisar de novo o cenário da praia, desta vez durante o dia para podermos ver o lixo onde eles tomam banho no mar!

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones

Fi

Segunda, 14 de novembro de 2016

Mumbai - 2o dia

Acordamos para o segundo e último dia de Mumbai. Foi um acordar lento e preguiçoso, com momentos de dormitar entre boas espreguiçadelas. Para nós bem poderiam ser 11h00 da manhã mas eram apenas 8h30! Ainda bem! Nada melhor do que estar de férias e acordar sem despertador, mas cedo para não perder o dia.

Fomos tomar o pequeno almoço e começamos a pesquisar tours para irmos à maior favela da Ásia - Daravi.

Depois de procurar online, para termos um termo de comparação para sabermos qual seria o preço justo a pagar se comprássemos na rua ou numa agência de turismo, fomos procurar pelas ruas. Como sempre, estes indianos são uns chatos e só nos fazem perder tempo e paciência. Perguntamos a um segurança de um hotel onde podíamos encontrar uma agência para fazer o tour da favela e ele disse que para nós era muito melhor ir com um senhor já com uma certa idade, que por acaso estava ali parado dentro do táxi, porque era mais barato e ele ia saber levar-nos onde queríamos ir, porque conhecia bem a favela. Lá falamos com ele e depois de marralhar (como de costume), chegamos a um acordo. Entramos no táxi, ele arrancou e nós perguntamos o que é que ele nos ia mostrar. Ele disse que nos deixava na favela, esperava no carro e trazia-nos de volta... Ora bolas para isto!!!! Pedimos para parar o carro e demos-lhe o dinheiro equivalente ao caminho que ele tinha percorrido.

Estas situações são muito chatas, quer para eles, quer para nós. Para eles, porque eles são super supersticiosos e acreditam que o primeiro negócio da manhã lhes traz sorte para o dia inteiro. Agora imaginem o primeiro da semana!! Para nós, porque eles não nos largam naturalmente, por isso estar já dentro do carro, negocio feito e a caminho da cena, é mil vezes pior! E acaba por ser uma perda de tempo!

Eu tinha tirado uma foto aos contactos da agência de viagens online e fomos ao hotel para ligar para lá, já fartos destas confusões monhés... Marcamos o tour para as 13h45. Uma das coisas que nós costumamos fazer é visitar orfanatos para interagir com as crianças e tentar ajudar da melhor maneira que conseguimos e como a Índia é um país onde o número de crianças abandonadas é tão alto e as crianças são tão mal tratadas, achamos que poderia ser uma coisa interessante a fazer. Perguntei no hotel onde poderíamos ir e eles lá escreveram num papel a morada da Asha Dhan, o centro de acolhimento mais conhecido em Mumbai. Lá fomos nós!

O taxi deixou-nos perto do lugar e a caminho passamos por um senhor que estava a pedir, muito magro e debilitado. Fez-nos sinal para a garrafa de água que nós levávamos na mão e aquilo entristeceu-nos imenso. Coitado... Ele não queria dinheiro. Queria água... Voltamos atrás e demos-lhe a garrafa de água, que estava cheia e demos 10 rupias, que são cerca de 1,2€. Eu sei que parece pouco, mas uma viagem de táxi de 10 minutos custa 22 rupias. Agora penso que se lhe tivéssemos dado 100 rupias (12€) tínhamos ajudado mais, mas também não queremos incentivar este tipo de vida... Mais valia ter pegado nele e levá-lo a almoçar! Ele agradeceu imenso com um sorriso de orelha a orelha... Deve estar mais do que habituado a ser ignorado, até porque esta zona de Mumbai não vê turistas. Agradecemos de volta e seguimos caminho.

Quando chegámos a Asha Dhan, vimos que era gerido por freiras e a maior parte das crianças já são mais crescidas, quase adolescentes e quase todas têm algum tipo de deficiência. Perguntamos a uma freira como funciona a adopção na Índia mas (como sempre!) não se mostrou interessada em responder, dizendo que aquele centro não lida com adopção e que não sabia ajudar... Great! Despachou-nos e viemos embora com um "May the God be with you" que o Diogo lhe lançou entre dentes!

Estas instituições ganham dinheiro com as crianças e por isso não lhes interessa que as mesmas saiam dali. Enfim, triste realidade! Viemos embora de coração vazio, sem informações e tristes com a dura realidade.

Decidimos ir até à praia para nos alegrarmos! Estava um calor insuportável, mas enchemo-nos de coragem! Claro que não íamos até à praia para fazer praia... Íamos para tirar fotos. A água, como devem imaginar, é porca e na areia, presumimos nós, deve haver xixi, cuspe (os indianos cospem a toda a hora para o chão) e ranho! Nem pensar em por o pezinho na areia!

Como era de esperar, quando chegamos, vimos que a praia estava suja, mas francamente, pensamos que ia estar pior! Pelo cenário da noite anterior, com picnics na praia, com indianos, crianças e com o lixo que vimos ainda de noite, estávamos à espera de muito, muito pior! Esperávamos um cenário quase de guerra, com aquela camada de sujidade tipo gordura à superfície da água, com garrafas e plásticos a boiar e papéis e caixas na areia a serem levados pelas ondas. Nada disso!!! Apenas um pouco de lixo, aqui e acolá. Cá para mim, devem ter acabado de limpar a praia, o que já me espanta muito se o fizerem!

Este é o povo mais sujo e porco que eu já conheci e estragam qualquer vista ou ambiente que seja ou poderia ser limpo. Todas as ruas estão cheias de lixo no chão, não se preocupam em por as coisas nos contentores de lixo, apenas deixam cair no chão. Seja papel, plástico, resíduos ou vidro! Não interessa como vai ficar e deve dar muito trabalho por num recipiente... Tiramos as fotos necessárias e fomos almoçar.

Mais uma vez - ZOMATO! O restaurante chamava-se Salt Water Cafe, mas era tudo menos um café. Um restaurante todo em madeira, com luzes estrategicamente colocadas, dão ao espaço um ambiente acolhedor e confortável. Cheirava tão bem, quando entramos! Escolhemos a mesa ao lado da janela para podermos ver o contraste entre a azáfama exterior e a tranquilidade e paz interior. Eu escolhi um risotto de cogumelos e o Diogo bochechas de porco com cogumelos. Os dois estavam super saborosos (desta vez ganhou o Diogo, o dele estava melhor do que o meu) e vieram com uma apresentação exímia, digna de nota 5 no zomato!

Estes restaurantes fazem frente a qualquer restaurante do Porto onde normalmente se paga 30 a 35€ por pessoa! É incrível o nível de qualidade da comida, apresentação e simpatia das pessoas. Pedimos uma água para acompanhar a bebida (o vinho aqui custa tanto quanto o prato de comida) e trouxeram-nos uma garrafa de água super gira, cheia de pinta! Até nisto eles brilham! Pagamos cerca de 15€ cada um e saímos felizes e de papo cheio! POWER TO ZOMATO!!

Estava na hora de ir à favela, presenciar a pobreza indiana!

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!

Fi

FAVELA DE DARAVI

No segundo dia em Bombaim, depois de já termos visto (os poucos) pontos de interesse da cidade no dia anterior, decidimos marcar uma visita a uma das maiores favelas de todo o Mundo - Daravi. A marcação de tours ou viagens com qualquer agência de viagens é sempre complicada aqui. Todos têm os seus esquemas e estratégias de aumentar os lucros num local onde não há qualquer tabela de preços. Aqui a experiência em viagens é o mais importante porque nos apercebemos logo por palavras e gestos se já estamos a entrar num "scam". A pergunta “where you from?” já nos causa uma certa alergia, dando início a uma fuga a sete pés para o lado oposto. O nosso aspecto de turista ocidental provoca-lhes um efeito semelhante ao que acontece com os mosquitos aqui: uma vontade descontrolada de conseguir o nosso sangue/dinheiro que se transforma num coeficiente de 400-500% em relação ao valor razoável. Quando se consegue um valor aceitável, dizem com frequência que o serviço essencial não está incluido. Neste caso, pedimos um tour e depois de negociarmos um valor aceitável, afinal o guia não estava incluido... Era apenas o serviço de transporte! Como assim?! Para ser só transporte, pagávamos só 12 rupias no comboio que liga Churchgate a Daravi, em vez das 1500rupias que nos anunciaram, depois de 20 minutos a negociar e com cara de quem já está a fazer um grande desconto! Temos cara de estúpidos certamente... O que fizemos e aconselhamos fazer antes de sair do hotel, é verificar qual o preço online, que normalmente está sempre disponível. Encontrámos uma agencia chamada Reality que fazia tours por 850rup/cada (12€) e é focada na favela e em programas de reabilitação e ajuda à comunidade. Uma das vantagens era irmos de comboio. Mumbai tem um tráfego caótico e o comboio demora 25min em vez dos 50min de carro. Além do mais, aproxima-nos da realidade e do que as pessoas vivem diariamente.

 Fomos em segunda classe e a Fi assustou-se com as condições da segunda classe. Era um comboio sem qualquer conforto, todo em metal, velho, desgastado, sujo, sem janelas de vidro, com redes para evitar que as pessoas se pendurem e viagem de graça, que nos faz lembrar uma capoeira.

O nosso guia mora numa favela vizinha e fala em primeira mão da vida dentro da favela, da vida dele. Tal como a maioria das pessoas que mora na favela, ele trabalha fora da favela porque já conseguiu um emprego melhor. Quem trabalha lá dentro normalmente são trabalhadores temporários (que dormem num canto qualquer dentro das fábricas) que vêm das regiões rurais da Índia à procura de trabalho sazonal. 60% da população dos quase 20M de habitantes de Mumbai mora em favelas e 40% não são de cá, são estes migrantes de outras regiões. A maior parte vem de zonas rurais e a agricultura vive da sazonalidade, pelo que nos restantes meses não dispõem de dinheiro suficiente para sustentar a família, muitas vezes numerosa. Cada um tem direito a 1 ou 2 meses de férias (depende se são recém-casados ou não) e todos eles aproveitam para irem visitar a família.

Dentro da favela há várias empresas, sobretudo ligadas à reciclagem de materiais. Plásticos, alumínio, cartão... Tudo se aproveita aqui. Países como a Alemanha e EUA enviam para aqui cargueiros com lixo para ser reciclado. Se víssemos isto como uma cadeia alimentar, Daravi representaria os "vermes" decompositores, tão importantes para o ecossistema no seu processo de renovação dos materiais. Digo vermes sem nada depreciativo, mas infelizmente é a imagem que mais se assemelha a esta realidade, porque as condições de trabalho e de vida aqui estão a esse nível. Não existe qualquer segurança no trabalho. Das empresas que visitamos, todas tinham trabalhadores em contacto com qumicos, gases, partículas de metais pesados, diluentes, sem qualquer proteção. O contacto é directo com as mãos, próximo dos olhos, do nariz... Eles não são parvos. Sabem disso. A esperança média de vida em Daravi é de 61 anos e dificilmente alguém chega aos 65. Mas na hora de alimentar a família e da sobrevivência, a própria saúde e o bem estar passa para segundo plano. Vimos também empresas de fabrico de calças de ganga, leggings, pólos, entre outros produtos.

 A favela de Daravi tem todos os serviços no seu interior e é autosuficiente, permitindo aos seus habitantes não terem de sair no dia a dia, saindo apenas para espairecer se houver algum tempo livre. Na rua principal vimos dois "cinemas" muito peculiares que eram casas com largura de 3 metros, com um televisor e cadeiras na qual passavam DVD's de Bollywood. Tinha um pano a tapar a porta para manter a escuridão e cá fora estava o balcão para cobrar o bilhete forrado com as capas dos filmes! Quando passámos, eles estavam a sair da “última sessão” e sorriam contentes com o filme visto.

 Além das fabricas e dos cinemas existem lojas, supermercados, uma mesquita, uma igreja, um templo indu e 700 casas de banho publicas para 1 milhão de pessoas que aqui vive. São 1.428 pessoas por cada "casa de banho" indian style, com as condições de higiene que devem imaginar. Vou repetir… 1.428 pessoas usam a mesma casa de banho, ou seja, a mesma sanita e o mesmo lavatório! E quando dizemos casa de banho, não estamos a falar das tradicionais casas de banho como vemos na europa. Estamos a falar de casebres, com um buraco no chão, paredes num metal qualquer ou em cimento, com telhado meio aberto, meio fechado. O esgoto é a céu aberto e o cheiro também!

As casas das pessoas são de 20 metros quadrados e vivem 5 ou mais pessoas nesse espaço rectangular que tem de ter sala, cozinha e quarto para todos, onde só a pessoa mais idosa é que dorme numa cama que durante o dia serve de sofá, o resto dorme no chão. Não há espaço para casa de banho, mas existe um duche. Por esse motivo, algumas pessoas acordam às 4 da manha para conseguirem ir à casa de banho, para evitar as filas da manhã e depois voltam a dormir.

O governo por vezes, deita abaixo algumas casas para construir prédios e oferece um apartamento de 20 metros quadrados a cada família das casas que foram destruídas. Parece-vos bem, não? Bem melhor do que viver num casebre, certo? Errado! Umas pessoas queixam-se que perdem o sentido de comunidade e outras tinham apartamentos maiores do que os 20 metros quadrados que antes do ano de 2000 eram clandestinos e onde dormiam mais do que as 5 pessoas, para além de não terem casa de banho para cad entre outros problemas. Parece-nos a nós que estão habituados a viverem daquela forma e qualquer mudança, por melhor que seja, lhes faz confusão.

 A roupa é lavada no degrau da porta de casa com sabão enquanto batem a roupa à maneira antiga contra a pedra e a água escorre depois para o esgoto a céu aberto que corre em frente à porta, ao lado das ratazanas (com cerca de palmo e meio, sem contar com a cauda) e de tudo o que se possa imaginar de lixo. Cabos descobertos, roupas a secar, rios de esgotos, mulheres a fazerem comida para venderem na rua, lavagem de roupa… tudo isto convive com as crianças que brincam felizes e com os sorrisos rasgados dos seus habitantes quando nos vêm passar e que fazem questão de nos cumprimentar. Ao longo do trajecto, vimos várias mães à porta de casa a catar piolhos dos filhos.

Algumas casas são muito coloridas e outras não têm acesso a luz. Nesta nossa visita fizemos dois trajectos labirínticos, em que os acessos às casas eram tão estreitos quanto os meus ombros, em que a escuridão era total e varias vezes tivemos que baixar a cabeça para passar por debaixo de aglomerado de cabos elétricos (uns mais descarnados que outros), ao mesmo tempo que tínhamos que ter em atenção onde colocávamos os pés. A sensação era de claustrofobia máxima, sem qualquer acesso a luz, com os olhos a tentarem se adaptar à escuridão, com receio de bater com a cabeça nalgum sítio, de enfiar um pé num esgoto qualquer cheio de xixi, cocó, entre outros, medo de tocar nas paredes ou de calcar alguma ratazana que por ali andam soltas e ainda tentar olhar para tudo para conseguirmos absorver toda a informação possível. Era demasiado para se conseguir suportar e e muito difícil de se explicar… 

No meio disto tudo parece impossível a criminalidade ser baixa neste sítio. Ao contrário da Cidade do México ou do Rio de Janeiro, esta favela não tem gangs ou droga. Mais uma vez, deparámo-nos com o que de melhor a Índia tem: as pessoas! Os sorrisos, o sentido de comunidade, a entre-ajuda são impressionantes. Toda a gente nos sorriu, cumprimentou, mostrou interesse genuíno. Aqui, ninguém nos tentou vender nada, não nos sentimos explorados, nem aborrecidos ou chateados com nada nem ninguém. Apenas queriam nos cumprimentar e saber os nossos nomes. Os valores da sociedade hIndu são um exemplo para todo o Mundo. Recomendamos vivamente uma visita a esta favela para darmos valor a tudo o que temos, muitas vezes em excesso.

Di e Fi em direto de Daravi

GOA - 1ST DAY

É impossível não gostar de Goa! Com todo o seu encanto, leveza, edifícios tipicamente portugueses, palavras escritas totalmente em português, cantos românticos, a beleza natural, as praias, a comida… Goa fica no nosso coração mesmo antes de a termos deixado.

Ora bem, por onde começar? Ah, claro! A viagem de comboio de Mumbai para Goa. A tão esperada aventura e experiência indiana. Tenho a dizer que depois de ter feito o transiberiano, este comboio não foi surpresa quanto eu esperava. Mais fraco e mais “duro” que o da Mongólia, as diferenças são poucas. As cabines são abertas e apenas uma cortina separa o corredor dos “quartos", as casas de banho são piores, vendo-se os carris pelo buraco que existe no chão e o colchão é bastante mais duro. De resto, é quase igual, versão hindu! De vez em quando passam indianos a vender comida, que nós pensávamos que estava incluído (pelo menos o pequeno-almoço) e o facto de só termos uma cortina a separar-nos do corredor, ouvem-se mais as conversas de umas cabines para as outras.

Passámos quase o tempo todo a dormir  e de manhã, fomos acordados pelo funcionário do comboio, porque a nossa saída era já a seguinte e faltavam uns míseros 2 minutos… Caramba!! Demos um salto, como uma estalada no cérebro, arrumámos tudo “à foge que te agarro” e num piscar de olhos, estávamos fora do comboio! Meios zonzos pelo sono e pelo acordar repentino, encaminhámo-nos para a zona dos táxis pré-pagos. Querem 850 rupias (quase 10€) para nos levarem até ao hotel e optámos por partilhar o táxi com uns franceses que iam na cabine ao lado da nossa no comboio, que iam para a mesma zona que nós. Foi uma viagem cansativa de quase 1h, com imenso calor, num táxi sem ar condicionado e com 5 pessoas lá dentro! Que calor!!

Quando chegámos à cidade, começamos a ver as palavras escritas em português e edifícios e casas clássicas portuguesas e ficámos super entusiasmados por encontrar alguém que ainda falasse português! Quando nos deixaram no hotel, tratámos logo de tentar arranjar uma moto mas no hotel disseram-nos que os deles estavam esgotados. Decidimos andar um pouco para tentar encontrar algum sítio que as alugasse… Não foi fácil! Em Goa os táxis são muito mais caros e nem sequer há táxis com taxímetro! Por uns míseros quilómetros querem um dinheirão e nós num instante nos cansámos destas “discussões” de preço e optámos por ir a pé até à cidade. Nossa! Debaixo de um sol escaldante e de um calor terrível, todos suados, cheios de fome, esticamos o dedo para pedir boleia e um carro parou de imediato, levando-nos até à praia de Miramar. Despedimo-nos com um muito obrigado, mas aqui também não há motos… Temos de andar mais! Fomos até ao restaurante (uma típica casa colonial com um alpendre, com um ambiente muito bem conseguido) que tínhamos encontrado no Zomato para almoçarmos e recuperar forças para continuarmos na nossa luta. Eventualmente acabámos por desistir e entrámos num riquexó (obviamente depois de muito marralhado, como sempre) para nos levar à praia que queríamos ir. Desiludidos por não conseguirmos alugar uma moto, depois de vermos imensos turistas a conduzir a sua “motorbike”, perguntámos ao motorista se ele sabia onde se podia alugar. Ele disse que sabia se um sítio e nós dissemos que lhe dávamos o mesmo dinheiro que tínhamos combinado se ele nos arranjasse uma moto. Ele lá conseguiu encontrar uma loja tipo chinesa que tinha e nós fizemos a festa com uma moto para dois dias por 800 rupias (nem 11€). Maravilha! Lá pegámos na nossa moto e fomos até à parte norte de Goa, visitar as praias, que de táxi ou riquexó nunca iríamos visitar, devido ao preço exorbitante que nos pediam.

Calangute é uma praia de areia bege, tradicional, com uma vila piscatória muito tradicional portuguesa, com letreiros com os nomes das casas, como se vê no nosso país! O mar está a puxar um pouco e o Diogo decide tomar um banho, para refrescar as ideias. Vêem-se barcos na areia, com as mesmas cores e modelos dos nossos e eu fico a tirar fotos. Next!

Baga Beach - Russos, russos e mais russos! Russos e russas por todo o lado. Até “privet” (Olá) estes montes sabem dizer por estes lados! Baga é uma praia muito semelhante a Calangute mas com um areal maior. Até parking têm aqui. Dizia na net que é a praia mais turística e isso sente-se a milhas. À saída vi um bar chamado “Cocktails & Dreams”, o tão famoso slogan do filme Cocktail do Tom Cruise e fomos lá beber um mojito cada um e arranjar net para falarmos convosco, dar notícias e procurarmos um restaurante no Zomato. Damo-nos conta que estamos completamente viciados nesta aplicação! Quando encontrámos, pagamos a conta de 250 rupias (3€, era happy hour!) e fomos jantar. O restaurante era bastante agradável, decoração super gira e asiática, com cores vibrantes e contrastantes, mas a comida deixou um bocadinho a desejar. Porém, é um restaurante para uma classificação de, pelo menos, 4 em 5!

Voltámos para o hotel, depois de 45 minutos de moto e adormecemos como reis!

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!

Fi

 

GOA - 2ND DAY

Acordámos bem cedinho porque tínhamos muito quilómetro pela frente até às praias do sul de Goa, que a net nos disse que valiam mais a pena. Fomos conhecer primeiro Goa Velha, a transbordar curiosidade e ansiosos por encontrar alguém que falasse português. No dia anterior, ainda fomos lançando um “Olá!” ou um “Obrigada!” aqui e ali, mas sem sucesso. Ninguém nos respondia, apenas lançavam um sorriso tímido sem perceberem patavina do que estávamos a dizer.

A caminho, páramos numa farmácia para comprarmos um antibiótico porque nos tínhamos esquecido do nosso no quarto. O dono da farmácia tinha sobrenome português, mas não falava nada. Ainda disse "muito obrigada!” depois de saber que éramos portugueses, mas mais nada… Mas não imaginem uma farmácia como as nossas. É sim, uma venda de rua, num casebre, com o balcão virado diretamente para a rua!

Continuámos caminho e quando chegámos a Velha Goa, fomos visitar a igreja de São Francisco e a Basílica do Bom Jesus. Tipicamente igrejas portuguesas, com os nossos santos, cúpulas e arcos. Mesmo o interior é igual às nossas igrejas. Quando entrámos na basílica, encontrámos um guia Goense que falava português! Com um sorriso de orelha a orelha, tanto o nosso como o dele, conversámos um pouco com o senhor Santos e ele contou-nos um pouco sobre a vida dele.

Dentro da Basílica, conhecemos uma senhora cujo marido falava português e sofria porque a família não falava quase nada e ele não podia praticar a língua. O marido estava no carro e nós prometemos encontrar-nos lá fora com ele para falarmos um pouco, depois da nossa visita ao Bom Jesus.

O senhor Agnelo Fernandes, um pouco debilitado, estava no carro a bater uma soneca, e quando nós chegámos ao carro e dissemos “bom dia!”, ele nem queria acreditar que estava a ouvir português. Todo contente e simpático, levanta-se e sai do carro e começa a falar português connosco. Contou-nos como era Goa antigamente, lamentando que hoje em dia estivesse tão suja e degradada (aos nossos olhos, está mil vezes melhor do que o resto da índia). Fez-nos perguntas sobre Portugal e disse que gostava muito de lá ir. Perguntou também de onde nós éramos e pareceu saber alguma coisa sobre a geografia do nosso país. Despedimo-nos dele com um passou-bem e, de coração cheio, viemos embora ainda a dizer adeus para trás.

Partimos em direção às praias, para uma viagem longa debaixo do sol das 10h00 da manhã. Quando chegámos a Majorda Beach, deparámo-nos com um cenário típico de uma praia paradisíaca africana, de areia branca e mar azul esverdeado. Claro que tinham de vir as indianas tentar vender os colares e as pulseiras horríveis, feitas de conchas e à mão. Nós dizemos logo ao longe que não queremos nada e que não vamos comprar, mas elas insistem em mostrar, chateando-nos até à exaustão. Cheguei a dizer que só queremos ser deixados em paz, mas elas fingem não entender e sorriem. Valha-me deus! Decidimos meter-nos na água para ver se elas desistem e se se vão embora, mas não. Continuam, mais persistentes do que nós, do lado de fora da água, na esperança que nós mudemos de ideias e que consigam vender alguma coisinha. Dizem que os russos não são nada simpáticos e que não falam nem compram nada e que os portugueses são muito simpáticos e que compram tudo. Tenho as minhas sérias dúvidas que alguma vez tenham falado com algum portugês, quanto mais vender o que quer que seja a um…

Viemos embora depois de nos secarmos e fizemos uma viagem de 40 minutos até à praia de Bogmalo. Na minha opinião esta é a praia mais bonita de Goa, do norte e do sul. Uma praia rodeada de palmeiras e vegetação, areia tão branca que reflete o sol e nos bate nos olhos, fazendo com que nós não consigamos abrir os olhos direito. Lançamo-nos à água que nem crianças e ficámos ali durante bastante tempo, tentando arrefecer o corpo do sol que tínhamos levado no corpo desde as 10h00 da manhã até àquela hora (13h30). Fomos almoçar a um restaurante em cima da areia, com uma vista fantástica para a praia. Comemos bastante bem e sem Zomato! :)

Seguimos caminho até às 2 praias seguintes, das quais nem o nome sabemos, mas não eram tão bonitas como as anteriores. Passámos pelo Hyatt, um resort fenomenal 5 estrelas, com arquitetura portuguesa. Ainda tentámos entrar, mas “for guests only”! Demos meia volta e fizemo-nos à estrada. Fomos até à praia Dona Paula, porque dizia na internet que era uma das mais bonitas e era mesmo abaixo do nosso hotel e quando chegámos apanhámos a maior desilusão de sempre... Uma típica praia indiana: a abarrotar de lixo, super porca e a cheirar mal. Fomos para o hotel, tomar um banho e pormo-nos fresquinhos para o nosso último jantar em Goa.

 

Beijinhos e abraços para todos dos Indiana Jones

Fi

 

KERALA - NEVER TRUST A MOSQUITO!

Chegados a Kerala, viemos diretos para as Backwaters, uns canais de água salgada, rodeados de vegetação, palmeiras, casas pequenas e vendas de frutas, legumes, peixes e marisco (camarões, lagostins e caranguejos). Tínhamos pedido a um dos nossos conhecidos, o Siddarth, que conhecemos na Tailândia, para nos pesquisar um House Boat para nós ficarmos. Achámos que ele conhecia melhor e sendo indiano conseguia desenrascar-se melhor do que nós e arranjar um preço justo pelo serviço que pretendíamos. Para além de acharmos que íamos andar mais tranquilos, sem termos de marralhar preços, negociar horas, etc. Já nos apercebemos que, começando a negociar com um indiano, se formos para o seguinte, o anterior não deixa que o negócio seja feito, porque o cliente era dele. Ora bolas! Temos de ficar com o primeiro, mesmo que o preço não nos agrade? Era o que faltava! Este tipo de situações andam a dar cabo da minha paciência e estou a começar a ficar cheia de “discussões” e de não poder andar em paz, chegar a um sítio e usufruir do meu tempo e descanso. Daí termos pedido ao Sidd para nos tratar de tudo. Está mal… Ele bem tentou, mas mais uma vez, fomos “enganados” (não pelo Sidd, mas pelo dono do barco que nos deram) e em vez de nos darem um barco conforme tinham mostrado ao Sidd, como eles próprios disseram “luxury house boat”, levaram-nos para um barco mais antigo, em que o quarto não tinha nada a ver com o da fotografia. Na foto era um quarto todo em madeira, com uma casa de banho porreira e não podia estar mais longe do que nós acabámos por ter. Só nos deram uma toalha de banho (acharam que estávamos limpos e podíamos partilhar, só pode!), a cama não tinha lençóis, só o lençol de baixo e uma manta minúscula para nos taparmos caso tivéssemos frio (foi usada para nos escondermos dos mosquitos), a casa de banho estava tão suja, tão suja que as paredes estavam castanhas e logo mal chegámos ao quarto matámos cerca de 15 mosquitos seguidos! O “luxury” ficou em terra quando partimos neste barco, cheio de mosquitos, falhas e sujidade, com indianos que falam mal inglês. Só quando nos afastamos da costa e saímos do meio de todos os barcos é que começamos a ter a noção real de quão mau era o barco… Na costa estava mais escuro e nem conseguimos ver o barco direito do lado de fora. Mais uma vez, chegámos à conclusão que temos de fazer nós as coisas. Porém, também temos noção que íamos perder imenso tempo a negociar, a tentar encontrar a melhor opção e íamos andar desconfortáveis e a “discutir” com indianos que acabam por ser mais persistentes do que nós...

Antes da hora de almoço levaram-nos a uma vila de venda de peixes e marisco para ver se ficavam com o nosso dinheiro e lá trouxemos 11 camarões tigres para comer ao almoço, por 1.000 rupias (12€), junto com o peixe que já estava incluído no pacote.

O almoço foi servido perto de um enorme lago. Peixe frito, um peixe pequenino para cada um (imaginem se não tivéssemos comprado os camarões… passávamos fome), que tinha mais espinhas do que carne, uma panela gigante de arroz (dava para no mínimo para 6 pessoas), um caldo de batata doce com legumes e caril (super picante), uns vegetais bastante bons que ainda não consegui decifrar o que eram, beterraba cortada muito fininha com pimenta, outra mistura de vegetais com chili verde (supostamente o chili verde não é picante… só que é!), um molho de iogurte e camarões? Nem vê-los!! Apesar de não terem frigorífico, nem arca, nem gelo de qualquer espécie, iam manter os camarões, dentro do saco ao sol até à hora de jantar. Oh pá… isto não é normal! Quase que nos passámos com eles… Pedimos para fazerem os camarões para a hora de almoço e eles lá trouxeram 6 camarões, 3 para cada um de nós, a acharem que era imensa comida. Os outros 5 eram para a hora de jantar. Lá lhes voltámos a explicar que não, que queríamos os camarões todos agora, porque iam se estragar até ao jantar e eles ficaram muito espantados com a quantidade de proteína que nós queríamos comer. De facto, já estávamos a abarrotar de comida, mas antes faça mal do que…….. faça mal MESMO mais tarde! À noite já estaria estragado e íamos ficar com o resto das férias estragadas. Lá se iam as Andaman e o mergulho tão promissor!

Lá nos fizeram os camarões todos, conforme nós pedimos, fritos com alho, gengibre e sal. Mesmo dando-lhe s a receita, não acertaram. Não puseram sal, encheram aquilo de gengibre e o alho era pouco… Desistimos e seguimos caminho para o sítio onde íamos ficar a dormir. Por volta das 17h00, começam a aparecer as nuvens avassaladoras de mosquitos! Parece que nascem e que quando matamos um, parecem mais 5! São “mais que as mães” e tentam pousar no nosso corpo, da forma mais inteligente possível… não atacam de frente, atacam de lado, vindo por trás e tentam pousar em sítios onde nós não os vemos. Os sítios preferidos deles são os calcanhares, cotovelos e joelhos. Decidimos meter-nos no quarto, a matar os mosquitos que entretanto decidiram entrar, não sabemos por onde. Agarrados aos jogos dos nossos telemóveis, a jogarmos jogos de capitais, bandeiras, perguntas de cultura geral, etc acabámos por adormecer às 21h00, cobertos pelo único cobertor que nos deram, que quase não tapava a pernas todas, a dividir pelos dois. O colchão parecia pedra, a almofada… calhau! Mas inacreditavelmente, até dormimos relativamente bem (against all odds!), sem mordidas de mosquitos.

 

Beijinhos e abraços para todos dos Indiana Jones!

Fi

 

 

KOCHI

Acordámos às 7h00 da manhã, com o som dos homens a falar, as máquinas do barco a trabalhar e os corvos a palrar.  Tinham-nos dito que às 8h00 nos serviam o pequeno-almoço, previamente escolhido por nós (torradas, manteiga, compota, leite frio para mim e café com leite frio para o Diogo). Só tivemos coragem de sair do quarto exatamente à hora marcada para comer, com medo dos mosquitos. Ainda havia alguns resistentes e nós lá os fomos matando, um a um com o que estava mais à mão. Lá tomamos o pequeno almoço “luxury", servido numa mesa suja e sentados em cadeiras meias soltas. O pão estava surpreendentemente bom, a manteiga um pouco derretido demais, mas excelente, a compota parecia remédio para a tosse (but what the hell...”) e as nossas bebidas vieram a escaldar. Parece que não ouvem. Quer dizer, eles ouvem, mas como é um serviço “luxury”, não fixam, não escrevem, não querem saber e qualquer coisa basta, é melhor do que nada. Pagámos um serviço deluxe mas tivemos um básico abaixo da média. De todos os hotéis até agora, este foi o pior de todos com toda a certeza! E foi exatamente isso que fizemos questão de dizer ao dono e ao motorista quando nos vieram buscar. Explicámos que quando se paga um tipo de serviço, está-se à espera de ter o que se paga e que queríamos que o feedback que estávamos a dar, fosse encarado como uma crítica da qual eles pudessem melhorar o serviço. Ele começou a dizer que não tínhamos pago luxury, mas sim deluxe! Até me ri na cara dele. Então luxury e deluxe não são sinónimos? Querem enganar quem? E mesmo que seja deluxe, não temos direito a duas toalhas, lençóis e um quarto e casa de banho limpos? Na minha terra, até no hotel mais básico nos dão isso. O motorista lá nos devolveu quase metade do dinheiro do barco, mas não era isso que queríamos, dissemos nós! Queremos é que este monhés duma figa aprendam que andar a enganar turistas não os leva a lado nenhum e que assim o país não evolui. Ele lá insistiu e disse que não se sentia bem se fosse de outra forma. Nós aceitámos a mudámos de conversa a caminho de Kochi para ver se o "grande elefante" que estava sentado entre nós desaparecia! Estava um ambiente de cortar à faca e lá fomos perguntando curiosidades sobre aquela região e ele lá nos foi respondendo. O dia correu bastante melhor do que o anterior e visitámos uma igreja onde o Vasco da Gama foi sepultado quando morreu, sendo depois transladado para Portugal. Aqui na igreja fomos abordados por uns miúdos (com cerca de 13 anos) que nos perguntaram de onde éramos e quando dissemos Portugal, lançam logo o clássico “Cristiano Ronaldo!”. Nós a brincar, dissémos que éramos amigos dele e que passávamos férias com ele e só ouvíamos “WOW!” de olhos esbugalhados e de sorrisos abertos. Eu ainda disse que ele tinha uma casa de férias no norte de portugal com um heliporto no telhado e eles acreditaram mesmo que nós o conhecíamos bem. Disseram que eram os maiores fãs e eu disse que lhe íamos dizer e que ele ia ficar muito feliz por saber. Ficaram todos convencidos e orgulhosos por terem conhecido alguém que conhecia o grande ídolo deles. Coitaditos dos putos! Mas pelos menos saíram felizes da vida daquela igreja, aposto até que com o dia ganho!

Lá passeámos pelas ruas de Kochi, vimos o mercado de especiarias, uma sinagoga, almoçamos num restaurante bastante bom (onde deu para falar convosco e responder a alguns mails mais importantes), mais uma vez referido pelo Zomato, fomos até à praia (cheia de lixo), vimos uma placa escrita em portugês, que tinha sido colocada em honra à visita do Mário Soares, nosso presidente em 1992, visitamos um hotel super antigo e tradicionalmente português com um mercedes SE clássico lindo de morrer à porta e de seguida fomos ver um espetáculo de lutas indianas e o tão famoso Katakali, onde os atores passam 1h00 a maquilharem-se e depois é uma espécie de teatro onde abundam as expressões corporais, gestos, sons e música. Foi um espetáculo cheia de vida, cor e emocionante. Tirámos imensas fotos e fizemos vídeos para vos mostrar.

Quando saímos (19h30) fomos jantar a um restaurante português onde eu comi “prawn alhinho”, o clássico camarão com alho, com um twist de coentros (que eu amo!)! Estava uma delícia e o arroz de côco e coentros não lhe ficava nada atrás! Estava de babar!

Daí a umas horas (às 2h00 da manhã) tínhamos de estar no aeroporto e decidimos terminar a sessão e ir dormir a um quarto que arranjámos durante a tarde durante as poucas horas que nos restavam por 6€.

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!

Fi

Sábado, 26 de novembro de 2016

CALCUTÁ

Calcutá é uma cidade parecida com Mumbai e com qualquer coisa de Delhi. Fomos tratar de arranjar um “pre paid taxi” e mais uma vez íamos sendo enganados quando nos apresentaram um preço de 750 rupias por 25km. Voltámos ao interior do aeroporto procurar outro e encontrámos o preço justo de 280 rupias. Lá fomos nós, num taxi super antigo, um Mahindra Ambassador, amarelo, todo sujo e partido por dentro!

Estava um transito terrível e demorámos 1h00 a chegar ao hotel. Mal entrámos pedimos a pass da net e ele disse que ligava para o quarto para nos dar… como assim? Tanto mistério por causa de uma pass? Oké! Subimos e ficámos sentados na cama, parados à espera da pass. Depois de algum tempo e muita impaciência para vos dar noticias, o Diogo ligou para a receção para pedir a dita cuja. “Two more minutes, Sir” e desligou. Só nos podíamos rir da situação. Estes monhés de uma figa não existem! Mas lá nos ligou depois e nos deu a bendita pass. Eu dei notícias e o Diogo foi ao Zomato procurar um sítio para jantarmos.

Fomos a um restaurante de comida típica de Bengala e comemos um caril de camarão com arroz branco, que vinha dentro de dois côcos. Uma apresentação maravilhosa! Os olhos também comem e no nosso caso, estávamos cheiinhos de fome! Devorámos aquilo tudo em 10 minutos e voltámos para o hotel, o mais rápido possível porque tínhamos de dormir para acordar cedo e ir para o aeroporto, para irmos para a tão esperada Varanassi, a cidade espiritual!

Domingo, 27 de novembro de 2016

VARANASI

Chegados a Varanasi, começamos logo a ver as trafulhices do costume - os táxis caros, toda a gente a querer comissão de tudo e esquemas de juntar 3 grupos diferentes no mesmo taxi. Disseram-nos logo que o taxi não vai até ao nosso hotel, que tínhamos de andar cerca de 10 minutos nas ruas labirínticas de Varanasi, onde é difícil encontrar alguém que fale inglês. Lá fomos nós (a partilhar um taxi com um indiano e um sul-coreano), a caminho do Ganges! Eu adormeci mal entrei no taxi… nestas férias ganhei resistência a não conseguir dormir, adormeço em todo o lado! Dei por mim com a minha cabeça quase deitada no ombro do coreano! A viagem foi intensa, com todo o caos, barulho, lixo e pobreza a passar mesmo diante dos nossos olhos. Este é o sítio onde mais se ouve as buzinas dos carros, das motos e das bicicletas. É ensurdecedor! Apetece gritar ao mesmo tempo que elas apitam e dizer “Já ouvi! Já sei que vens aí! Passa lá, pá!”

O taxi deixou-nos numa rua que parecia ser uma rua principal. Bem podia ser outra qualquer, porque não conheço nada… Lá fomos perguntando o caminho, dizendo o nome do Gat (os monumentos onde há passagem para o rio) e iam-nos dando instruções mistas… Uns diziam que era sempre em frente e depois à direita e mais à frente diziam-nos que era para trás e à esquerda. Que grande merda! E agora? Sem saber o caminho, com malas às costas, cheios de calor e fome e a querer tomar um banho e descansar. Que filme! Até a polícias perguntámos e eles só nos mandavam para trás e depois para a esquerda e para a direita… Bolas! Que frustração! Desistimos de perguntar pelo hotel ou pelo Gat e começamos a perguntar pelo Ganges. Chegando ao rio, podíamos caminhar num sentido e encontrar o hotel. Boa ideia! Lá nos encaminharam e lá fomos nós por ruelas onde só cabem 2 pessoas lado a lado, mas por onde passam 10 de cada vez, motos, bicicletas e vacas, ruas cheias de cocó pelo chão, cheiro a urina, cães cheios de sarna, papagaios em gaiolas, indianos a quererem vender de tudo, crianças a sorrir, vagabundos vestidos de homens santos a pedir dinheiro e uma série de fotos maravilhosas a passarem-nos ao lado, por estarmos carregados e sem mãos livres… Tínhamos de chegar ao hotel o mais rápido possível e voltar para ali para começarmos a registar tudo o que estávamos a ver. Isto é lindo! Apesar do cheiro e da sujidade, é único e estou imensamente feliz por estar aqui. Não tenho palavras para descrever o que tenho sentido aqui, parece que tudo o que digo não chega e a espiritualidade deste sítio é transcendente.

Finalmente conseguimos avistar o Ganges e o primeiro sítio que chegamos é o “burning gat”, o sítio mais mágico e espiritual de toda a Índa! Não podíamos ter tido mais sorte! Começamos a ver pilhas de troncos de madeira, homens santos e a casta mais baixa os “intocáveis" (os indianos que queimam os corpos e que não podem tocar em ninguém). Mais à frente, vemos fumo e sentimos um calor na cara que nos faz tossir e suar. Sai água por debaixo do chão e com cuidado tentámos não lhe tocar, mas é impossível arranjar um sítio seguro para pôr o pé e agradecemos por estarmos de sapatilhas e não de havaianas. Toda a gente nos pergunta se queremos um barco para andar no Ganges, se queremos um guia ou se queremos tirar fotografias aos corpos. Já tínhamos lido sobre estes esquemas no Lonely Planet e como eles cobram dinheiro pelas fotografias depois de as tirarmos e como os guias são negociados a um preço e depois é cobrado outro. Dizemos que não a tudo enquanto vamos caminhando em direção ao hotel.

O nosso hotel fica mesmo ao lado do burning gat e é um hotel recuperado de um antigo palácio de um marajá. Não é tão bonito como o de Jaipur, mas é igualmente interessante. O Ganges está com maré vaza nesta altura do ano e é possível caminhar lado a lado do rio pelos gats todos, explorando cada esquina. Foi o que fizemos depois de deixarmos as malas no quarto. Entusiasmados como duas crianças a comer um gelado e de máquina fotográfica debaixo do braço, fomos explorar as cerimónias dos funerais hindus. Já sabíamos que não podíamos tirar fotos sem nos cobrarem dinheiro por isso, mas tínhamos de tentar tirar disfarçadamente. Pusemo-nos num sítio estratégico e com o telemóvel encostado ao meu corpo, tirei 3 fotos seguidas para garantir que uma ficava bem. Nessas fotos ficou registado a cremação de um corpo todo coberto com um pano branco, colocado desajeitadamente sobre uns barrotes de madeira, tapado com outros tantos troncos, com flores laranjas e amarelas, colares e pétalas. É o familiar mais querido que ateia o fogo ao corpo e senti-me triste por eles. Os familiares rapam o cabelo e a barba (se a tiverem) logo a seguir a deitarem as cinzas no Ganges, nas escadas do rio e também se vestem de branco. Durante a cremação rezam alto e ficam perto do corpo, a olhar para toda aquela cena mórbida e é impossível para mim não pensar no meu pai, que também foi cremado. Um dos dias mais tristes da minha vida e certamente também para estas pessoas. Porém, a cremação no rio é um ritual que todos os hindus desejam obter um dia, por ser o culminar de um ciclo de reencarnação e eles acreditam que se forem queimados ali esse ciclo quebra-se e não reencarnam mais. A primeira coisa que se pensa é “mas não é bom reencarnar?” Para eles não, porque crêem que podem voltar no corpo de um animal ou pior. "Good karma" ou "bad karma"! Mas não é para todos! Grávidas, crianças e pessoas mordidas por serpentes, são agarradas a uma pedra e atiradas ao rio para se afundarem ali. Cruzes… ainda mais mórbido! Já sabem que vão reencarnar noutra vida, só não sabem em que forma. Pessoa, animal, inseto? Depende se fizeram o bem nesta vida. A única coisa certa nesta vida é a morte e por isso, quando velhinhos vêm para Varanasi para morrer aqui e acabar com o ciclo de reencarnação.

O nosso hotel oferece uma viagem de barco ao pôr do sol para vermos o festival hindu onde se celebram os deuses. É passado na escadaria do rio, por volta das 18h00, um pouco a sul do nosso hotel e aqui teremos uma vista privilegiada deste “festival” de cores e música.

Lá entrámos no barco, com um americano original da Nigéria e um casal de indianos que estão aqui de lua de mel. Vê-se imensa gente nas escadarias a marcar lugar desde as 16h00, para garantir que têm o melhor lugar. Está imensa gente a assistir do rio, dentro de barcos apinhados de gente, com miúdos a tentar vender flores com velas dentro de conchas de papel para oferecermos ao Ganges em troca de sorte e “good karma”. Lá comprámos uma conchinha e pedimos o nosso desejo - felicidade - e tirámos fotos a tudo! Eu até toquei na água (sem querer!!) com o dedo, porque era de noite e não se via nada, e o barqueiro atirou água com o remo para o braço do Diogo. Estamos abençoados!! Tradução: amanhã estamos doentes, cheios de febre!!

Quando voltámos para o hotel fomos jantar ao restaurante do hotel, indicados pelo casal indiano que garantiu que é o melhor da cidade para os locais!

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones!

Fi

 

 

 

 

 

Segunda, 28 de novembro de 2016

DESCALÇOS EM VARANASI

Varanasi é uma cidade que nasceu em 1.200 AC, sendo tida como a cidade continuamente habitada mais antiga do mundo e este é o nosso último dia cá e o último dia de férias antes de começarmos a nossa viagem de volta a Portugal.

Ontem marcámos uma viagem de barco por 100 rupias por pessoa e por hora (1,2€) e tínhamos de embarcar às 5h30 da matina. Cheios de sono e com o pequeno almoço por tomar, lá fomos nós escoltados pelo “Mister Diamond”, para vermos o nascer do sol no Ganges. É uma experiência única e ao passarmos pelo “burning gat” vimos que ainda se queimavam corpos. O barqueiro diz que a cada 10 ou 20 minutos aparece mais um corpo para queimar. Muita gente morre nesta cidade! Pudera… eles vêm de toda a Índia para morrer aqui!

O sol lá se começou a levantar, num céu poluído, com o seu tom avermelhado, enquanto nós íamos tirando fotos a tudo! Quando se pensa que podemos voltar para trás, que já está tudo mais do que visto e que agora deve ser tudo igual, lá aparece um homem a tomar banho no rio (quando digo a tomar banho, é mesmo a tomar banho, com direito a shampô e sabonete), um a lavar os dentes, outro a ver a cabeça dele ser rapada para um funeral, outro a rezar dentro de água, outro a beber água do rio com as mãos em conchinha, outro a nadar com a cabeça dentro de água mas com o rabo de fora, outro a lançar as flores com velas como nós tínhamos lançado na noite anterior… é um sem fim de situações, que não lembra ao diabo, e que é possível encontrar aqui! Andámos 2h00 de barco e voltámos extremamente contentes, dando uma gorjeta de 100 rupias ao Mister Diamond pelo excelente serviço. Até os olhos lhe brilharam. Toda a família dele é constituída por barqueiros e ele contou que o filho está a tentar ser médico, mas quando explicou melhor, afinal era enfermeiro, e ajudava com casos de lepra. Nossa!

Fomos tomar o pequeno almoço e encaminhámo-nos para o nosso “shopping day”! Souvenires e especiarias estão na nossa lista. Percorremos as ruelas que parecem que nunca mais acabam à procura do mercado de especiarias e demorámos mais de 1h00 a encontrar o spot certo para negociar. Quando encontrámos, vimos no mapa que ficava a dois passos do nosso hotel, mas no sentido contrário ao que iniciámos.

O homem parecia que não queria vender e nós nunca nos sentimos tão ignorados por um vendedor na Índia como aqui… Chegámos até a ir ao lado, enquanto esperávamos, a um sítio recomendado pelo Zomato e pelo Lonely Planet, chamado Blue Lassi, onde supostamente se faz o melhor lassi de toda a Índia. Eu comi um lassi de banana e o Diogo um de açafrão e pistachios. Temos de admitir que estava divinal! Nota 10!!! E eu já sei fazer Lassi, graças à minha aula de culinária em Udaipur!

Voltámos para a loja das especiarias e depois de 1h00 a tentar chamar a atenção dele e a negociar com ele, entre explicações sobre o que era o quê, lá trouxemos um saco cheio de especiarias. Não sabemos como vai caber na mala!

Fomos almoçar ao Dosa Café e o nosso almoço foi qualquer coisa de fenomenal! Eu comi uma pizza indiana, que se assemelha muito à pan pizza da pizza hut, e o Diogo comeu uma Dosa, uma espécie de crepe recheado com cogumelos e queijo tradicional e mozzarella. Estava delicioso!!! Nota 10!!!

O dia estava a correr bem relativamente a comida e seguimos caminho até ao templo hindu Vishwanath, o equiparável à Meca dos hindus. À chegada, avisaram-nos que não podíamos entrar nem calçados nem de meias e lanço um olhar de pânico ao Diogo! Quando olhámos para o chão, vemos água parada, lixo que não conseguimos identificar de onde vem nem o que é, o chão está castanho e cinza e não sabemos o que é pior, se as partes do chão que é em mármore ou se as partes onde existem tapetes… E eu penso, não! Não dá para pôr o pé naquilo! “No way, Jose!” Mas lá teve de ser e entre arrepios e gemidos, lá entrámos nós no templo, com muito cuidado onde se punham os pés, tentando sem sucesso pousar sítios menos sujos. As indianas empurram-nos a quererem passar à frente e fazem-nos desequilibrar, obrigando-nos a apoiar-nos nos pilares sujos e a subir escadas que não queremos. Fomos “empurrados” e acotovelados até uma sala onde eu cheguei ao meu limite e disse ao Diogo que nem morta entrava ali. Demos meia volta e connosco a dar cotoveladas aos indianos de volta, lá conseguimos fugir daquela fila de pessoas que adoram estar ali no meio daquela imundice toda! Esta foi a única vez que eu me senti fora da minha zona de conforto e até o Diogo desabafou que também tinha sido demasiado para ele, apesar de ser a segunda vez que lá ia…

Saímos do buraco e “corremos” até ao hotel para tomar um banho. Meias para o saco da roupa suja imediatamente, antes de entrar no duche! Esfregamos bem os pés, pernas, mãos e braços e voltámos para a cidade para irmos jantar ao mesmo sítio do almoço, já que achámos tão bom e continuava delicioso.

Voltámos para o hotel, depois de nos despedirmos do Ganges, visto que é a última vez que o vemos de noite. A esta hora ainda se vêem pessoas a tomar banho no rio, que não está assim tão quente, e a escadaria parece ser o ponto de encontro de toda a gente, que ficam ali sentados, a olhar para o Ganges e a conversarem, no meio de vacas, cães, cocó, urina, água e o fumo do burning gat.

Amanhã é dia de despedida e de nos pormos a caminho de casa, depois de 25 dias de Índia.

 

Beijinhos e abraços a todos dos Indiana Jones.

Fi

Vemo-nos em Portugal!

FOTOS DE MUMBAI

FOTOS DE GOA

FOTOS DE KERALA

FOTOS DE CALCUTÁ