CHENGDU - links úteis

CHENGDU - dicas

HOTEL CHENGDU:

Chengdu Lazybones Hostel Boutique Poshpacker, 22€/noite com pequeno almoço e casa de banho privada

CHENGDU - FORMAS DE DESLOCAÇÃO:

- bus, taxi, tuk tuk

CHENGDU - ONDE COMER:

- Jinli street

Wuhou Temple

Kuanzhai Alley

- Lao Ma Tou Hotpot

- Qin Shan Zhai  €€

- Ming Ting Fan Dian

- Yu Zhi Lan

- Yu's Family Kitchen

- Wen Ya Zi

- Redbeard Burgers

DICAS E PONTOS DE INTERESSE EM CHENGDU:

- Wenshu Monastery

- Qingyang Palace

- tomb of Wang Jian

- Dufu’s Thatched Cottage

- Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding

- Qingcheng Mountain

- Culture Park

Baihuatan Park

- Jinli Street

LINKS:

CHENGDU LAZYBONES HOSTEL

CHENGDU - diário de viagem

NOVEMBRO 2018

A China é um país muito grande e característico. Há de tudo, desde pessoas, paisagens, comidas e cidades. Não estávamos à espera que Chengdu se apresentasse como uma cidade tão desenvolvida. Talvez por falta de pesquisa, visto que só íamos passar aqui 24h, mas estávamos à espera de uma cidade mais ao estilo campo do que uma cidade meia Las Vegas (com todos os arranha céus, os anúncios neon e fitas de led com jogos de luzes muito bem escolhidos) e meia Tóquio (com as pessoas super simpáticas, no mesmo estilo envergonhado/fofinho, a fazer caras para as fotos, a usarem roupas tradicionais e os templos e ruas maravilhosas que tivemos oportunidade de ver). Logo desde a primeira hora, ficamos rendidos a esta cidade. A nossa primeira experiência em Chengdu foi hilariante! Fomos procurar um sítio para jantar à meia noite e o único sítio que encontrámos ninguém falava inglês. Nem o menu conseguíamos pedir com sucesso, se bem que não iria adiantar de nada porque devia estar tudo em chinês. Então, depois de 10 minutos a tentarmos comunicar por linguagem gestual sem sucesso (pôr a mão na barriga a indicar fome ou fazer o sinal de comer com a mão em frente à boca não transmite qualquer resultado), alguém se lembrou de usar o tradutor onde escreviam o que queriam dizer e o telemóvel falava em inglês. Ah!! Boa! Estamos safos! Então, tinham sapos, cabeça de peixe e noodles de ovo e tomate. O que escolher... o que escolher... "noodles, please!" Veio uma taça gigante com noodles, ovos e tomate aos bocadinhos, num caldo super saboroso. Que maravilha! Entretanto passam-nos dois copos com água a ferver para a mão. "O que é isto?", perguntamos. Única resposta possível foi longa e em chinês, como se se falassem devagar e articulassem cada sílaba nós fôssemos compreender, com risinhos e com as mãos a tapar a boca envergonhadas. "No chinese", dissemos pela centésima vez, sem resistirmos a rir perante a reação delas. Com o tradutor, passados uns minutos, descobrimos que era para beber. Beber água a escaldar? Ui... não entendo! Pedi um chá pelo tradutor. Comemos e no final pagamos 1,5€ por pessoa, por uma pratada de noodles (que eu nem consegui terminar) e um chá cada um, ao bom estilo do Irão! À despedida quiseram tirar fotos connosco (um estrangeiro branco deve ser raro por estas bandas também) e queriam adicionar-nos no wechat (aplicação que costumam usar), mas nós não tínhamos, despedimo-nos deles com alguma curiosidade sobre como iríamos comunicar e o que diríamos, caso tivéssemos... No dia seguinte, tínhamos planeado visitar o Centro de Recuperação dos Pandas, uma rua típica e um templo, por essa ordem, mas o plano foi-se alterando de forma muito subtil e ficamos a saber que Chengdu é muito mais do que pandas, uma rua e um templo! Se nós soubéssemos (e se pudéssemos tirar mais do que 1 mês de férias), tínhamos optado por ficar aqui 10 dias, para podermos aproveitar decentemente tudo o que a cidade e arredores oferece. As cooking classes são um must do, onde nos levam ao mercado para escolher os ingredientes para depois os cozinharmos. Os teatros e espetáculos de máscaras e os concertos de música tradicional chinesa. Visitas de 3 dias a montanhas, lagos, cascatas e paisagens de perder o fôlego. Foi aqui perto que se filmou o Avatar, naquelas montanhas incríveis e florestas de árvores inacreditavelmente maravilhosas. Se nós soubéssemos... mas não tínhamos tempo para mais nada... Os pandas são obrigatórios, sem dúvida! Vivem numa espécie de zoo, mas ao ar livre, com muito espaço para se divertirem e pareceu-nos que são muito bem tratados. Aqui pudemos visitar pandas gigantes (como toda a gente imagina que sejam os pandas) e pandas vermelhos, uma espécie de raposa castanha com rabo comprido e peludo, que andam como felinos e comem com as patinhas a agarrar a comida... tão fofinhos! Ainda fomos à área dos pandas bebés onde estavam tantos chineses, tantos chineses, que parecia a concentração da china inteira numa sala!

Há um problema com os chineses... até podem ser muito simpáticos e sorridentes (que muitas das vezes não acontece), mas são demasiado barulhentos e a comer armam o maior esterco alguma vez visto. Mesmo tendo uma placa a pedir silêncio em frente aos olhos, isso não vai acontecer. O tom de voz já é alto, mas quando ficam excitados, é de furar os tímpanos. Chamam uns pelos outros de um lado do recinto para o outro, dão gargalhadas, ralham com os filhos numa voz estridente... é o fim! Ainda passei por eles a fazer "ssshhhhh!", mas acho que nem me ouviram, tal era o barulho. Coitados dos pandas, que de vez em quando olhavam para eles, em tom de suplício. Dormiam de costas voltadas, na esperança que toda a sua banha abafasse os sons. Perdemos seguramente 15 minutos para tentarmos chegar ao vidro e ver os bebés. Esmagando um chinoca de cada vez (e sendo esmagados de volta) lá conseguimos alcançar a primeira fila e colámos o corpo ao vidro, qual tomate esborrachado, a sermos pressionados para sair. Conseguimos lá ficar uns 5 minutos, a fazer vídeos, fotos e a tirar selfies como podíamos. Eram 4 bebés e um estava a dormir, tranquilamente dentro de um cestinho de vime (demasiada fofura para se aguentar), dois estavam a brincar um com o outro, dentro de um cesto azul (daqueles que se usam para transportar garrafas de vinho) e o quarto estava a morder um cavalinho de madeira! Estão claramente na muda de dentes, tal era a garra com que ele se agarrava àquilo! Quando se cansava de morder, tentava dar 2 passos, mas a perna do cavalo balançava e batia-lhe, enervando-o o suficiente para ele "atacar" de novo o cavalo! Uns amores! Ao tentar sair, parecem sete cães a um osso, para ficarem com o lugar onde nós os dois estávamos... de tal forma que eu fiquei com um pé preso entre dois chineses e quando o consegui libertar, quase fiquei sem casaco! Em menos de um segundo, o espaço ocupado pelo nosso corpo é sugado num buraco negro de olhos em bico! Satisfeitos com a primeira etapa do nosso dia, apanhámos um autocarro para a Jinli Street, uma rua super tradicional, com lojinhas e stands de comida de rua. A 11km de distância, fizemos 1h30 de viagem de autocarro, tal era o trânsito. Acabámos por fazer uma soneca, entre chineses, que ressonavam, que falavam alto e outros que comiam, literalmente, cagando tudo à sua volta, transformando o autocarro numa pocilga. Eles ainda põem uns baldes do lixo ao lado dos assentos, mas parece não adiantar, porque não parecem sequer tentar fazer pontaria para o balde que está a 10cm deles, nem olhando, deixam a comida cair onde calhar. De facto, não estamos habituados a isto. Já para não falar nos arrotos que se ouvem de longe a longe, em sinal de satisfação. Chegámos à Jinli e fomos surpreendidos por um cenário que parecia do século XIII, com a calçada em pedra, amendoeiras em flor, lagos, riachos, templos decorados a vermelho, pontes tradicionais, guardas em madeira escura, candeeiros típicos, chineses e chinesas vestidos a rigor... lindo e mágico! Não resistimos e trocámos o templo seguinte por mais tempo aqui. Não restando tempo para fazer mais nada, a não ser vaguear pelas ruas infinitas do mercado Jinli, a provar a comida local, entre espetadinhas de carne, arroz glutinoso num meio ananás com bagas de goji, coracoezinhos de galinha e febras grelhados com molho picante, carne (de origem incerta) pincelada com cominhos, umas bolas (que não sabemos o que era) com molho de chocolate e mais uma série de comida da qual não sabemos dizer se era vaca, porco, pato, coelho, rato, sapo, ou outra coisa qualquer. Mas sem medo!

É para provar de tudo! Excepto umas espetadas de larvas, centopeias, escorpiões e baratas, que vimos e recusamos! A verdade é que saímos demasiado satisfeitos, de sorrisos rasgados, felizes por termos feito o trabalho de casa e termos descoberto aquele cantinho tão especial. De barriguinha bem cheia e já com aquela moleza a seguir ao almoço que todos nós conhecemos, tínhamos de ir apanhar o metro (que ficava a quase 2km dali) para ainda ir ao supermercado comprar comida para o comboio para Lhasa, levantar dinheiro, ir ao hotel buscar as malas e ir até à estação norte de comboios. Seguramente, neste trajecto andamos mais de 5km, o que nos matou de cansaço! Achamos que a comida chinesa nos está a causar uma reação física, porque sempre que comemos (quer seja pequeno almoço - que comemos panquecas com banana e mel, torradas com manteiga, bacon e ovos estrelados - quer seja o almoço na Jinli) a determinada altura ficamos com formigueiro intenso nas mãos e deixamos de as sentir. Chegámos a associar a uma reação ao carbinib (comprimido para ajudar com a altitude), mas a verdade é que já não é a primeira vez que tomamos estes comprimidos e acontece sempre a seguir a comer... daí termos decidido ir comprar refeições europeias antes de irmos para o comboio. Claro que a única coisa que encontramos foi o belo do Macdonald's, que percorremos um shopping inteiro para o encontrar, quando as energias estavam abaixo de zero e as dores acima de 100, e trouxemos 3 refeições para cada um. Logo a seguir, vimos a Pizza Hut, que também tinha dado... (nem vou mencionar o facto que à porta do shopping estava a Häggen Dasz e que tinha trocado esse jantar por 250ml de strawberry cheesecake! Mas o meu parceiro não alinha nestas viagens) Quando chegámos à estação de comboios, tivemos de ir buscar o nosso bilhete, depois fomos comprar umas bolachas, batas fritas e água e fomos levantar dinheiro. Quando chegámos à sala de espera para entrar no comboio, tudo doía! Estávamos pesadíssimos, entre malas, saco do mac, saco dos snacks, mochila, casacos, com os pés numa bolha só, ancas a saltar fora das cartilagens, costas num oito... é oficial! Estamos velhos... e reparamos que nos tínhamos esquecido dos papéis com a documentação na bilheteira... NÃO! Eu fiquei com as malas, mochila e sacos à espera e o Diogo foi lá buscar, na esperança de ainda lá estarem. Tínhamos lá os vistos de entrada no Tibete que tivemos de pedir para nos imprimirem 3 cópias de cada no hotel (onde falavam inglês)... mas correu bem e o Diogo resgatou tudo em segurança, arrancando os papéis da beira de uns chineses. Safos! Podia ter corrido muito mal... sem essas impressões não podíamos continuar, nem tínhamos como imprimir novamente porque o acesso ao gmail está vedado na China e seria necessário uma conta VPN (uma conta onde a localização é secreta) ainda para podermos enviar para um centro de cópias que não sabíamos onde ficava. Um caos, tivemos mesmo muita sorte em reaver os permits. Já sossegados, comemos um hambúrguer com bacon frio, batatas fritas frias e moles e bebemos uma coca cola sem gás e fomos para o comboio que em nada (ou quase nada) é diferente dos outros 3 comboios onde já fizemos este tipo de viagem (transiberiano, Coreia do Norte e Índia): uma cabine com 2 beliches de cada lado (que estamos a partilhar com dois chineses que se conheceram a bordo, mas já se tratam como se fossem amigos de longa data e que tentam comunicar connosco através do tradutor direto), com colchão durinho, almofada rasa, casa de banho partilhada, uma janela onde se vê a paisagem fabulosa a passar a grande velocidade e uma mesinha para pousar os essenciais. Também há uma carruagem com um restaurante onde se vendem noodles e chá. A caminho de Lhasa, tentamos adivinhar o que o Tibete nos reserva.

 

Xié xié, Filipa & Diogo

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