DHAKA - links úteis

DHAKA - dicas

HOTEL DHAKA:

The Raintree Dhaka, 93€/noite com pequeno almoço

DHAKA - FORMAS DE DESLOCAÇÃO:

- rickshaw ou uber

DHAKA - ONDE COMER:

- Hajir Biriani

- Nanna Biriyani

- Malancha Restaurant

- Roll Express

- Spaghetti Jazz

- Istanbul Restaurant

- Al Razzaque

- Samdado

- Star Kebab and restaurant

- Pan Tau

DICAS E PONTOS DE INTERESSE EM DHAKA:

- andar de barco no rio Buriganga

- andar de rickshaw

- provar Biriyani

- old Dhaka

- Shakhari Street

- Islampur Road

- Bongshal Road

- Chawk Bazaar

- Kawran Bazaar

- Begun Bazaar

- New Market, Old Dhaka

- Beber chá com locais

- Dhakeshwari Temple

- Lalbag Fort

- Khan Mohammad Mridha's Mosque

- Armenian Church

 - Star Mosque

- Ashan Manzil

- Sadarghat River Port

LINKS:

THE RAINTREE DHAKA

DHAKA - diário de viagem

NOVEMBRO 2018

Chegámos ao aeroporto de Dhaka ao início da tarde e o calor expulsou logo os pesados casacos mal descemos as escadas do avião em direcção ao autocarro. Sorrimos logo, somos atraídos por calor, uma raridade nesta expedição.
O aeroporto de Dhaka é um aeroporto de outros tempos, um tipo de aeroporto que já não existe, onde reina o caos e onde os mosquitos sugam o nosso sangue. E a verdade é que é um espelho da realidade de Dhaka, onde reina o caos e a destruição, fazendo lembrar a Índia de outros tempos, a Índia de há 10 anos atrás, antes do rápido desenvolvimento económico, onde o urbanismo ficou esquecido, havendo muitos outros assuntos para resolver mais importantes, como a miséria extrema e a segurança. Não conseguimos obter o visto antes da viagem pois a embaixada em Lisboa classificou as nossas fotos tipo passe como impróprias já que não tinham sido tiradas por um fotógrafo profissional! Apesar de as mesmas fotos nos terem permitido obter o visto do Irão e da China (que são apenas dos vistos mais complicados do mundo onde até os milímetros e os pixeis contam), mas no Bangladesh não era suficiente. Faltava a marca d'água no papel do fotógrafo responsável! Mas sem problema, foi-nos garantido que o visto seria emitido à chegada. E assim foi, mas não sem um complicado processo de sobe e desce escadas entre postos de emissão. Antes ainda tive que passar tranquilamente pela zona de imigração sem qualquer documento, para ir levantar dinheiro já que o tesoureiro não dispunha de terminal multibanco. Only cash! Só é permitido pagar em divisa local (Tk) ou dólares americanos. Euro não serve por estas bandas. O Revolut também não funcionou e estes entraves à entrada no país refletiram desde logo a realidade que iríamos enfrentar.
Depois da difícil tarefa de obtermos um visto, que nos demorou cerca de 40 min, passamos para a zona das chegadas, guardada por soldados armados até aos dentes. Decidi experimentar o Uber para nos levar até ao Hotel mas o primeiro que chamamos não funcionou e tivemos de cancelar. O carro andou às voltas e 15 minutos depois ainda não tinha aparecido no local marcado. Caminhámos para a zona dos parques de estacionamento e tentamos negociar. Não correu bem... o Uber marcava 265tk, cerca de 2,8€, e eles logo à partida pediam 1.000tk que bem espremido ia aos 800tk em todos os taxistas. Estavam sedentos de ocidentais despreocupados mas nós não lhes íamos dar esse prazer. Quase a desistir, decidimos tentar o Uber novamente e funcionou! Como viemos a constatar, o Uber é de longe a melhor e mais barata forma de viajar em Dhaka. É bem mais barato que qualquer táxi, riquexó ou motoriquexó, menos de metade a maior parte das vezes. O Bangladesh, apesar de ser menos desenvolvido, é significativamente mais caro do que a Índia e isso aplica-se quase a tudo.
Logo à partida estávamos preparados para uma cidade pobre e caótica e por isso marcámos um hotel melhor, com medo do que nos poderia calhar na rifa. Ficamos no The Raintree Hotel, com todas as comodidades e cortesias, incluindo um excelente pequeno almoço e uma piscina no último andar, onde dava para ver toda a pobreza e destruição maciça abaixo dos nossos pés, fazendo com que nos sentíssemos culpados por estar a usufruir daquela vida luxuosa... Mas foi uma boa aposta para recarregarmos energias já que adivinhamos uma tarefa árdua nos dias que se avizinham.
Ter um bom hotel revelou-se essencial depois de enfrentarmos o caos de Old Dhaka no dia seguinte. Foi uma experiência incrível mas retirou toda a energia obtida no farto pequeno almoço da manhã. Apanhámos um Uber por 380Tk (4€) por volta das 7:50 e devíamos ter saído mais cedo. O trajeto daqueles 11km sem trânsito dura 13min e assim demorou quase 1h. Foi-nos dito que entre as 8h e a meia-noite o mesmo trajeto dura 2h tal é o caos de todo o tipo de veículos e gente.

O tráfego é tal que chegamos a estar parados a pé em ruas pedonais porque havia gente a mais no mesmo sentido, ao qual se juntam bicicletas e motoriquexós... caos instalado! Esse trajeto é, por si só, um must do em Dhaka. Nunca vimos autocarros naquele estado, totalmente amassados em todos os cantos e recantos e sem qualquer sinal luminoso. Não é necessário qualquer luz de travão ou pisca. Em todos os carros vemos instalados parachoques extra em ferro e mesmo estes demonstram a agressividade destas ruas com amolgadelas severas. Há motas, riquexós e motoroquexós em grande quantidade puxados por homens com aspeto magro e desgraçado. Os sinais de trânsito aqui também não são minimamente importantes, nem os semáforos. Pelo menos os polícias ou militares eram importantes para estas bandas, ao contrário do Irão em que eram completamente ignorados. Aqui vemos checkpoints com militares e polícias armados até aos dentes com armas automáticas e shotguns de canos cerrados. Outra particularidade são os motoriquexós que são completamente fechados por grades e encerrados por dentro com um trinco pelo próprio motorista e isso é sinal que o nível de criminalidade é elevado, apesar de nos termos sentido sempre extremamente seguros. Deve ser uma falsa segurança e felizmente nunca houve nenhuma situação que nos preocupasse e andámos por todo o lado mas sempre espertos devido a esses sinais mas com mochila, câmara fotográfica e telemóveis na mão.
Old Dhaka faz lembrar Old Dehli. Um labirinto complexo de ruas estreitas de face para o rio sujo e poluído que trás mantimentos para a cidade e para as populações a jusante. As ruas são um paraíso para fotógrafos e fotojornalistas. Os esgotos a céu aberto, o lixo, os edifícios inacabados e o caos de cabos elétricos sobre as nossas cabeças contrastrou com os sorrisos despreocupado, curiosos e honestos que iamos roubando à medida que eramos avistados ao longe. O turismo não está estabelecido no Bangladesh e os raros ocidentais vêm a trabalho evitando esta zona da cidade pelo que para muitos é uma experiência nova. No meio da multidão reparamos no olhar fixo à nossa volta enquanto caminhavamos e sempre que parávamos eramos rapidamente rodeados por pessoas curiosas que queriam tirar fotos ou simplesmente tocar nos braços descobertos. O principal foco de interesse era a Filipa e a Sandra. Mesmo estando tapadas, os homens ficavam a olhar fixamente para a zona dos seios sem conseguir tirar o olhar e depois de passarmos viravam-se para lhes apreciar o rabo, sem disfarçarem pois era mais forte do que eles. Isto repetiu-se sempre! Junto ao rio concentrava-se a maior azáfama. Tinham chegado um carregamento de laranjas e então os mercadores e os compradores gritavam na dança da negociação com dinheiro na mão. No meio disso apareceu um mulçumano bem disposto que com um molhe de notas na mão veio dançar connosco de tão feliz que estava com a negociata. Foi um momento alto de Old Dhaka, junto ao rio contactamos de perto com vários locais, tiramos fotos e brincamos. No meio do caos os sorrisos são reconfortantes e  genuínos fazendo o percurso de várias horas mais fácil. Decidimos em seguida ir visitar o forte Ahsan Manzil e tal como imaginávamos não foi surpreendente. Um pequeno edificio cor-de-rosa mal mantido e sem interesse,  ladeado por uns jardins mal mantidos com fontes secas. Depois de uma foto a saltar, rapidamente saímos. O problema do Bangladesh é que ainda não esta minimamente virada para o turismo e decidimos passar apenas 2 dias aqui em Dhaka e não explorar o resto do país porque toda a nossa pesquisa caía no mesmo: falta de interesse. Gostamos de sítios reconditos e intrépidos onde mais ninguém vai mas os vários anos de experiência neste tipo se viagem faz-nos saber qual é o ponto em que não vale a pena visitar. Subir o rio ou as plantações de chá parecem à partida focos de interesse mas toda a nossa pesquisa nos deu sempre o alerta vermelho da desilusão e que não mereceu o nosso sacrifício de enfrentar condições agrestes de dificuldade.

Depois da desilusão deste ponto de interesse decidimos voltar à zona que agora nos apercebiamos ser nobre da cidade, apesar de inicialmente nos parecer destruida, e apanhamos um Uber que nos demorou cerca de 1h e 40m. Nesta zona encontram-se todos os hoteis 5 estrelas, embaixadas, ministérios e centros comerciais. Ao dizer centros comerciais digo edifícios em betão, que aparentavam estar perto do desmoronamento com toda a azáfama da cidade velha. A grande diferencia era nas ruas. Apesar de estarem sujas e com esgotos a céu aberto, havia
muito menos gente e militares que patrulhavam as ruas em checkpoints estrategicamente colocados.
Depois de almoçarmos num dos bons restaurantes da zona por cerca de 6€/pessoa e ficarmos com a boca e não só a arder por causa da comida picante , despedimo-nos tristemente do Mário e da Sandra. Tal como dizemos sempre... a 4 é sempre melhor e estes 4 dão-se mesmo bem a viajar juntos! Passamos a tarde desse dia na piscina do rooftop do nosso hotel. Fomos sempre os únicos lá e pudemos ter uma visão contrastada da cidade. Nós num local tão confortável e despreocupado e 9 andares abaixo o caos total. Ao nosso nível avistamos várias águias a planar à procura de alimento e outros pássaros que envergonhadamente se aproximavam da piscina. De lá de cima podiamos ver os outros telhados e pudemos ver pessoas que regavam as plantas, crianças a brincar ou mesmo trolhas que trabalhavam no último andar de prédios sem qualquer capacete, sapatos ou arnés, pendurando-se despreocupadamente em andaimes a 30 metros de altura. Se se magoassem durante aquele trabalho, nao pensavam de certeza que tinham a vida completamente arruinada e que iriam passar a ser um dos muito pedintes que vimos na rua, isto caso não sacrificassem a própria vida. O céu é castanho devido à poluição e não conseguimos ver mais do que 4 ou 5 quarteirões à nossa frente. Os aviões que levantavam eram rapidamente perdidos de vista no meio da espessa nuvem castanha.
Depois de descansarmos até à hora de jantar encontramos um restaurante de comida tailandesa para tentarmos evitar o picante excessivo da comida bengal. Conseguimos. Foi uma refeição maravilhosa e a mais cara até ao momento de toda a viagem: 15€ por pessoa. Nada demais em Portugal mas dava para comer mais de 5 repetições no Irão, mas o Irão não é exemplo!
No dia seguinte caminhamos pela zona em torno do Hotel onde conseguimos comprar um pequeno souvenir como fazemos em todos os destinos para colocar na nossa prateleira no único local disponível mas que não tem qualquer referência ao país. Aqui não há ainda souvenirs do país ou da cidade.
Como o Bangladesh é um país mioritariamente mulçumano, a 6a feira e o sábado são os dias de descanso semanal e por esse motivo hoje estava tudo mais calmo, incluindo o trânsito e por isso rapidamente chegamos ao aeroporto de Uber. Despedimo-nos do Bangladesh com sentimento de missão cumprida mas que precisa de apostar em valorizar o país para obter uma nova fonte de rendimento que com certeza melhorará a vida de todos: o turismo.

Beijos e abraços

Diogo e Filipa

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